Para Mães e Pais

9 dicas para lidar com a birra

5 de abril de 2017

Acho que essa é a pergunta de um milhão de dólares para todos os pais: como lidar com a birra? A gente fala muito de cenas escandalosas de crianças se jogando no chão do mercado, mas também tem aquelas cenas de birra cotidianas, quando qualquer tarefa simples – como escovar os dentes ou colocar o pijama – se torna uma batalha homérica.

Eu não tenho essa resposta definitiva. Como eu sempre falo, não sou especialista em educação ou criação de filhos. Sou somente uma mãe de duas filhas que procura sempre melhorar. E nessa busca por melhoria senti uma grande diferença quando passei a olhar a birra de maneira diferente. Coloquei nas redes sociais essa reflexão que eu já tinha feito aqui no blog antes.

Vamos pensar juntos e achar alguns caminhos:

Quer entender por que seu filho faz birra?

Programe uma viagem super bacana de férias por um ano, chegue na véspera e descubra que você não vai poder ir porque aconteceu algum imprevisto com seu passaporte. Calcule o tamanho da frustração de perder a viagem dos sonhos e a grana que você pagou por ela. Agora pense que cada “não” que você fala para seu filho de dois anos acarreta esse mesmo nível de frustração.

No exemplo acima, dependendo da sua maturidade, você pode xingar, gritar, rasgar as roupas, chorar quietinho, ficar emburrado por uma semana… Mas você, dificilmente (para não dizer “nunca” porque pode ser que haja uma Madre Teresa de Calcutá lendo esse texto), vai dizer “isso acontece”, desfazer as malas com um sorriso no rosto e continuar a vida como se nada tivesse acontecido.

Entenda que frustrações são difíceis para os adultos; ainda mais para uma criança. A gente precisa educar e ensinar a criança a lidar com a frustração? Sim! Devemos mostrar que a birra não é um comportamento aceitável? Com certeza! Mas só faremos isso de maneira eficiente quando entendermos que a birra não é um desafio da criança contra nós, é apenas uma resposta natural à frustração por parte de um ser humano em formação.

Mas como ajudar a criança a lidar com essa frustração?

Como já falei, não sou especialista, mas vou compartilhar as minhas experiências. Dá para diminuir muito as crises de birra e também minimizar o estresse se a gente tomar algumas atitudes e colocar em prática algumas estratégias. Pelo menos, foi o que eu senti aqui em casa.

Acho importante fazer um parênteses: antes de ser mãe eu julgava as cenas de birra e, depois que a Manuela nasceu, eu continuei julgando!! Isso porque a Manuela aprendeu nas primeiras crises que o comportamento não era aceitável e parou de fazer. Então, na minha cabeça, esses escândalos eram, sim, culpa dos pais.

Mas daí a Ana Júlia nasceu para “dar na minha cara” hahahahaha. Ela começou a fazer cenas de birra homéricas antes dos dois anos e foram alguns meses para eu conseguir lidar com a situação. Até hoje temos alguns episódios, mas são muito menores e mais esporádicos. Foi um aprendizado que tive que ter na prática! E tudo isso eu compartilho abaixo.

#1 Não leve para o lado pessoal

A primeira atitude fundamental ao lidar com a crise de birra é entender que aquela reação não é um desafio pessoal contra a sua pessoa – pai, mãe, responsável. Se a gente levar para o lado pessoal, ficaremos irritados, estressados, teremos reações exageradas. Pense assim: você está trabalhando, diz algo para seu colega e ele começa a gritar com você porque não gostou. Você vai ficar muito bravo e, dependendo do seu nível de paciência, vai gritar também e bater boca. Não é legal, mas é compreensível. Afinal, você está sendo diretamente afrontado.

Se você vir a birra como uma afronta pessoal da criança, a sua reação vai ser baseada na ira, na raiva e não vai de maneira alguma ajudar o seu filho.

#2 Respire fundo e seja compassivo

Tendo em vista que a criança está passando por um momento de “sofrimento” (lembra a frustração de perder a viagem dos sonhos?), seja compassivo. Amor e compreensão são as palavras-chave. Seu sentimento precisa ser “filho, tá difícil, eu sei, mas eu te amo e a gente vai superar isso juntos”. Eu sei que é muito difícil. Não vivo num conto de fadas e não acho que isso seja fácil. Mas o que na maternidade é fácil, né?

Passos práticos:
Ofereça carinho. Nem sempre um abraço é bom porque se a criança está jogada no chão, ela vai escorregar do seu colo ou vai se debater e vai te deixar ainda mais irritado. Se der, colo é bom e abraço também. Se não, faça um carinho na cabeça, nas costas, na barriga.

– Fale com calma. Tente não gritar e manter o tom de voz calmo e baixo. Converse com a criança, ofereça compreensão em palavras. “Filho, eu sei que você não queria isso ou que queria aquilo, mas agora não dá. Se acalme. A mamãe/ o papai está aqui com você. Eu amo você.”

– Espere. Ali na frente vou falar de algumas formas de tentar terminar a crise, mas às vezes nada funciona. Se for o caso, mantenha a criança segura (às vezes, ela está tão agitada que pode se machucar) e espere passar. Nesse caso, quando a criança parece rejeitar as intervenções do responsável, eu sou a favor de ignorar a atitude. Ficar próximo da criança, mas não focar mais na crise.

#3 Tire a criança da situação

Uma das melhores estratégias para lidar com a birra, na minha opinião, é tirar a criança da situação e oferecer uma distração. Por exemplo, a criança ficou frustrada porque o copo rosa que ela queria usar está sujo (sim, tem motivos bestas complexos como esse), você dá a bebida em outro copo, mas chama ela para brincar com o bichinho de pelúcia. A criança quer ver o programa de televisão, mas acabou e ela entrou em crise; ofereça outra atividade. Essa, para mim, é a regra de ouro e que funciona melhor aqui em casa.

#4 Prevenção: avise o que vai acontecer

Uma criança de dois anos não pode ser pega de surpresa. Essa é minha percepção. Vai parar de ver televisão para tomar banho? Então avise: “quando acabar esse desenho, a gente vai para o banho, ok?”. A temida hora de sair do parquinho pode ser mais tranquila com um “você pode escorregar mais duas vezes no escorregador e daí a gente vai embora, ok?”. E assim por diante. A criança precisa se preparar para o que vai acontecer nos próximos minutos. Isso diminuiu drasticamente as cenas de birra aqui em casa.

#5 Prevenção: dê opções

Outra estratégia maravilhosa de prevenção de birra é dar opções para a criança. Aos dois anos, aquele serumaninho está aprendendo que ele é um ser independente dos seus pais e está querendo explorar esse mundo novo, fazendo valer sua vontade. Por isso, todo dia, você pode ter uma guerra para fazer algo simples, como trocar a roupa. Então, aqui em casa, eu sempre usei a técnica das opções. Pegue duas calças e pergunte qual a criança quer. Pegue duas blusas e deixe o seu filho escolher qual vai usar. Na verdade, é você que está definindo qual é a roupa, mas dá a falsa sensação de que ela que escolheu! E dá para transpor isso para muitas situações.

#6 Prevenção: entenda como a criança está (sono, fome, cansaço, tédio…)

Caminhar no shopping quando você está cansado. Precisar ficar em um restaurante lotado quando você está morrendo de sono. Terminar de assistir um filme quando você está com muita fome. Todas essas situações são horríveis, mas a gente – adulto e maduro – já sabe lidar com isso. As crianças ainda não. E tentar forçá-las a aguentar a fome, o sono, o cansaço, aos dois anos de idade, é muita sacanagem, não é? E se você quer insistir, prepare-se para a crise de birra! Agora, se você quer evitar o escândalo, deixe a criança dormir, leve-a para se distrair, dê comida etc.

Eu já contei aqui no blog que, nas nossas férias na Disney, presenciei a pior crise de birra da vida. Ana Júlia, com sono e com fome, gritou e se jogou no chão por uns 20 minutos enquanto a gente esperava o restaurante reservado liberar a nossa mesa. As pessoas olhavam, eu tentei de tudo e nada funcionava. Foi tenso, desesperador. Eu deixei ela jogada gritando na minha frente. Depois de muito tempo, meu marido conseguiu diminuir o escândalo e eu a levei para jogar gravetos no lago até que finalmente a gente fosse almoçar. Esses minutos no lago foram milagrosos para acalmá-la e distrai-la.

#7 Brinque mais

A vida pode ser bem mais divertida se você se permitir brincar mais. Como assim? Manda uma criança cansada de dois anos arrumar os brinquedos espalhados pela sala. Em 90% dos casos, vai rolar briga e tensão. Agora, experimente propor uma corrida: “Vamos ver quem coloca mais brinquedos na caixa?” Eu faço isso direto. Outra crise que eu resolvi com a brincadeira foi o xixi na época de desfralde. Ana Júlia não queria parar de brincar para ir ao banheiro a cada 30 minutos (algo completamente compreensível; pense em você largando sua série favorita no meio porque alguém mandou você tentar fazer xixi). Então, eu comecei a brincadeira: “vamos ver quem coloca o pocoyo (redutor de assento) primeiro? Eu vou ganhar!”. Já faz uns seis meses e até hoje ela sai correndo para o banheiro. Obrigada. De nada!

#8 Faça (e cumpra) os acordos (lembre que a criança é inteligente)

Essa questão dos acordos tem um pressuposto básico: entender que a criança é um ser inteligente. Você pode fazer acordos, solicitar comportamentos e aplicar as sanções, claaaaaaro, dentro da realidade etária em questão. Deixa eu exemplificar para facilitar a vida:

– No parquinho: – Filho, se você fizer escândalo na hora de ir embora, nós não vamos voltar ao parquinho amanhã.
– Em casa: – Filho, se você não guardar tal brinquedo, amanhã você não poderá brincar com esse novamente.
– No cotidiano: – Filho, você pode assistir dois desenhos na televisão e daí vamos desligar (Aqui, a dica é saber a programação e já dizer: “Você vai assistir a Princesinha Sofia e Guarda do Leão. Quando acabar, vou desligar a tevê”)

#9 Não ceda à birra

Nunca, nunca, nunca, nunca, NUNCA, ceda à birra. Você distrair a criança, abraçar, dar amor, oferecer alternativas não é ceder à birra. Ceder à birra é, voltando ao exemplo do copo, sair correndo lavar o copo desejado só porque a criança se jogou no chão. É comprar o produto, dar o doce, desfazer o acordo só porque está rolando escândalo. Lembre-se: ceder uma vez é o começo para ceder sempre.

E você tem alguma dica para lidar com a birra? Tem uma experiência diferente? Conte para nós!

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Quem sou

Sou Melina Pockrandt Robaina, filha de Deus, jornalista e mãe da Manuela (6 anos) e da Ana Júlia (1 ano)

Eu sou Melina, mas pode me chamar de Mel. Moro em Curitiba (PR), sou jornalista, empresária e mãe de duas meninas maravilhosas: Manuela, 8 anos, e Ana Júlia, 3 anos. Um dos meus maiores alvos é tornar a vida mais simples e leve todos os dias.

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