Para Mães e Pais

Meu filho está mentindo – Como lidar com a mentira na infância?

20 de abril de 2017

Mentira aqui em casa é assunto muito sério. Manuela, aos 8, já sabe muito bem o que é mentir e não consegue fazer. Na época que começou a querer mentir deliberadamente, nós pegamos (os pais quase sempre sabem, né?) e conseguimos mostrar como isso era ruim. Ganhamos o coração dela e hoje sentimos que podemos confiar. Mas não é algo simples, principalmente no começo, quando a gente ainda não sabe se as crianças estão fazendo na maldade ou na inocência.

Por isso, convidei a psicóloga Camila Machuca, para falar sobre o tema. Ela é especialista em neuropsicologia pela USP e em PCIT – Parent Child Interaction Therapy pela University os West Virgínia (EUA). Atua com avaliação neuropsicológica e atendimento clínico de crianças, adolescentes e adultos, além de prestar consultoria para pais em questões relativas a educação de filhos e desenvolvimento infantil.

Confira a explicação sobre bacana dela!

A maior parte das pesquisas aponta que as crianças começam a mentir entre 2 e 3 anos de idade.

A mentira tem sido um tema bem pesquisado ultimamente, visando principalmente reconhecer quando esse comportamento começa e quais são os mecanismos cerebrais envolvidos nesse processo.

Os principais motivos que levam uma criança a mentir são:

– Conseguir algo que querem
– Se livrar das consequências de uma ação errada
– Ganhar atenção dos seus pais ou amigos
– Tornar suas histórias mais fascinantes e parecerem mais interessantes perante outras pessoas
– Evitar magoar as pessoas importantes para ela ou proteger aqueles que ama

É importante deixar claro que a medida em que as crianças crescem e se desenvolvem, o motivo das mentiras mudam e a complexidade também. Por isso é fundamental que os pais ajustem a punição/ repreensão a idade da criança.

Por exemplo, entre 2-4 anos a habilidade da linguagem ainda está em desenvolvimento e as crianças ainda não tem bem clara a noção de onde a verdade começa e termina. Nessa faixa etária elas ainda não possuem uma diferenciação clara entre realidade, fantasia, medos e desejos. Relembrando que essa é a fase dos amigos invisíveis e das histórias fantasiosas. Nessa fase é importante deixar claro para a criança que você sabe que aquilo que ela está falando é mentira, respeitando os marcos de desenvolvimento.

Entre 2 e 3 anos

Nessa idade, a criança ainda não tem plena consciência do que é verdade e o que é mentira. Por exemplo, quando a criança quebra algo, ao invés de confrontá-la diretamente perguntado se ela quebrou aquele objeto, você pode falar: “puxa, estou vendo que o vaso da mamãe foi quebrado”.

Se por exemplo, você pergunta para seu filho se ele comeu uma bolacha e ele disse que não, quando claramente ele comeu, pode dizer algo do tipo: “Mesmo filho? Então não devem ser farelos que eu estou vendo na sua boquinha”- ajustando o tom de voz para ele perceber que tem dúvida nela. São formas de mostrar que você sabe que ele está mentindo e o ajudar nessa diferenciação. Essa fase é uma boa hora para introduzir livros infantis que falem sobre a mentira ou que trabalhem o valor da honestidade

Aos 4 anos

Nessa idade, o desenvolvimento verbal da criança já está mais avançado e ela já começa a mentir mais deliberadamente. Nesse momento você já pode ser mais direto e começar a explicar o que é mentira e porque ela é ruim, especialmente depois que ela mentiu para você.

Tenha uma conversa curta e objetiva, mostrando porque a honestidade é importante. Em resposta a uma mentira você pode usar perguntas como: “Me parece que você não está falando a verdade” ou “ Você tem certeza que foi isso que realmente aconteceu?”.

Entre 5 e 8 anos

As crianças em idade escolar (5-8 anos) contam mais mentiras relacionadas a escola: tarefas escolares e eventos associados a amigos e professores. Nessa idade a manutenção da mentira ainda é difícil para a criança e os motivos que a levam a mentir geralmente estão associados a testar o quanto podem mentir e escapar sem que ninguém perceba.

Tenha um canal aberto de diálogo com seu filho e procure elogiar sempre que ele for honesto, com elogios e feedback positivo. Nessa idade eles são muito observadores, portando os pais tem que ser exemplo. De nada adianta ensinar seu filho a falar a verdade, se ele te pega mentindo, mesmo mentiras que aparentam ser “bobas”, como: “fala que eu não estou em casa”. Se você quer que seu filho seja honesto, você também tem que ser honesto.

Entre 9 e 12 anos

Na fase entre 9-12 anos, rumo aos anos da adolescência, as crianças já compreendem o conceito de verdade e mentira e estão incorporando em sua identidade os valores da confiabilidade e honestidade. Também estão se tornando melhores em sustentar suas mentiras e mais sensíveis a repercussão de suas ações.

Nessa etapa também é normal que as crianças passem a esconder algumas coisas de sua vida, que antes compartilhavam abertamente com seus pais, não porque estão sendo desonestos, mas porque é uma fase do seu desenvolvimento, rumo a maturidade e construção da identidade.

Aqui é importante continuar a desenvolver um relacionamento aberto com seu filho, mostrando o quanto a mentira o desagrada. Também é o momento de ensinar claramente sobre as consequências da mentira e mostrar o dano que pode causar na credibilidade do seu filho e em seus relacionamentos.

Outra boa estratégia e que é os pais proporcionem a criança a convivência com pessoas que consideram como referência e que admiram, para que possam dar bons exemplos do que fazer em vez  de mentir, para sair de situações em que a mentira parece o único caminho.

Outras dicas importantes para combater a mentira e incentivar a honestidade

– Nunca rotule seu filho como “mentiroso”, isso será prejudicial para sua autoestima, bem como pode aumentar o comportamento dele de mentir

– Quando seu filho admitir que fez algo errado, elogie ele pela sua honestidade. Destaque o quanto você fica feliz por ele ter escolhido a verdade

– Quando seu filho tem mentido de forma recorrente, é interessante que você analise por qual motivo ele tem feito isso. Será que está tentando proteger alguém? Está com dificuldade em assumir a consequência dos seus atos? Tem medo que você o castigue com severidade? Converse com seu filho sobre isso, para que juntos possam pensar em soluções alternativas a mentira

– Existem situações sociais em que incentivar seu filho a falar a verdade pode parecer um pouco desafiador. Por exemplo, quando ele ganha um presente que não gosta, você pode analisar com ele algum aspecto daquele presente que é interessante para que seu filho posso fazer um agradecimento sincero. Por exemplo: agradecer o tempo que a pessoa investiu escolhendo o presente.

– Deixe clara quais são as regras e consequências que existem em sua casa a respeito da mentira

–  Sempre aplique uma consequência relacionada a mentira que contou. Se por exemplo ele mentiu que não riscou a parede, peça que ele te ajude a limpar a parede. As consequências sempre devem estar relacionadas com o comportamento que estamos tentando alterar

– Tenha conversas sinceras sobre o valor da honestidade e os ganhos que ela traz. Você pode até dar exemplos da sua vida em que você escolheu a verdade e colheu bons resultados

 

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Quem sou

Sou Melina Pockrandt Robaina, filha de Deus, jornalista e mãe da Manuela (6 anos) e da Ana Júlia (1 ano)

Eu sou Melina, mas pode me chamar de Mel. Moro em Curitiba (PR), sou jornalista, empresária e mãe de duas meninas maravilhosas: Manuela, 8 anos, e Ana Júlia, 3 anos. Um dos meus maiores alvos é tornar a vida mais simples e leve todos os dias.

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