Sobre Filhos adolescência na infância

6 anos: a adolescência na infância

20 de janeiro de 2015

Meu filho de seis anos está impossível!

Quando a minha filha mais velha tinha cerca de 6 anos, postei nas redes sociais que foi uma fase muito difícil. Parecia que a adolescência chegou precoce lá em casa. Manuela, aos 6, ligou o botão da desobediência.

Estava respondona, nos desafiando, sendo irônica (sim, irônica) e grosseira. Ou seja, nada a ver com a menina doce e obediente que ela normalmente é (meus amigos não me deixam mentir). Além disso, ela sempre ouviu a repreensão, entendeu o que fazia de errado, pedia desculpa e mudava de atitude. Por volta dos seis anos, passou a discutir, discordar e voltar a ter a atitude errada em pouco tempo.

A terapeuta infantil Roberta Lima explicou que é comum, sim, uma fase de “adolescer na infância” e que isso varia de criança para criança. “Segundo Jung, a criança não nasce uma tábula rasa, logo, realmente não podemos colocar todas as crianças numa mesma fôrma de acordo com uma faixa etária. Portanto, realmente haverá crianças que poderão dar um pouco mais de trabalho que outras no processo de educação.”

Um dos momentos que tendem a ser mais difíceis para os pais são as crises de birra, muito comuns e características da fase dos 2,3 anos de idade. Nessa época, a criança começa a apresentar atitudes de oposição, disparar muitos “nãos”, rejeitar as coisas mais frequentemente. Parece familiar?

Segundo a terapeuta, esta é uma tentativa de iniciar o processo de individualidade que permite fazê-la perceber como um ser único – independente de sua mãe. “Dessa forma, é comum apresentar comportamentos de oposição e agressividade a fim de querer permanecer controlando o próprio mundo quando os pais começam a lhe fazer determinadas proibições e restrições.” O negócio é tão intenso que a fase se tornou conhecida como terrible two.

Aí entra a difícil – mas fundamental – tarefa de educar e colocar limites. Roberta explica que tanto o pai quanto a mãe, precisam assumir o papel de colocar negar as vontades da criança quando necessário. É assim que ela vai aprender a lidar com as frustrações, entender que existem regras e que, na vida, nem tudo acontece na hora e da forma que quer.

“Se os pais não tiverem pulso firme nessa fase crítica, corre-se o risco da criança permanecer com esse comportamento de birra por um período mais prolongado (até 5/6 anos de idade), além de, nos casos mais extremos, poder vir a ser um adulto com baixa tolerância à frustração, desenvolvendo sérias dificuldades de relações interpessoais”, alerta. É aquela coisa: a gente precisa educar hoje para que nossos filhos sejam adultos felizes!

Em relação a este momento de disciplina, a terapeuta relacionou algumas atitudes importantes:

– Pai e mãe devem estar juntos nesta tarefa, ambos assumindo esta responsabilidade e autoridade
– Um não pode desautorizar o outro, tirando a criança do castigo que o outro determinou
– Não se deve fazer ameaças como chamar o pai ou mesmo o lobo mau, homem do saco etc. Isso terceiriza a disciplina e passa a imagem de que esta pessoa não tem a habilidade para lidar com a criança.
– Barganhas também devem ser evitadas. Ou seja, você se comporta bem e ganha algo. O bom comportamento deve existir independente de os pais darem ou não algo para seus filhos.

A Roberta ainda conclui: “não tenham medo de intervir e dar limites sempre que necessário, pois dar limites é uma forma de cuidar bem da criança, dando proteção e amor, além de ser a partir dessas experiências que a criança irá compreender o funcionamento de como se vive em sociedade e a importância de respeitar as suas regras”.

E os seis anos?

A birra, o desafio, a oposição são comuns em diversas idades e podem ser mais intensas ou durarem mais de acordo com a forma como os pais lidam com a situação. É muito comum, o começo dessa fase na época dos dois anos, que ficou até conhecida como terrible two (ou os terríveis dois anos). Mas ela pode se manifestar mais tarde ou de maneira menos difícil. Lembre-se: nenhuma criança é igual a outra!

As psicopedagogas Thais e Cassi, do Things to Teach, colocaram um post muito legal no Instagram ontem falando especificamente sobre a teimosia dos 6 anos. Como eu me identifiquei!!! Além da teimosia, como falei, Manuela responde, discute, é irônica. Um dia perguntei o que ela tinha ido na fazer na cozinha, ela respondeu, bem mal-educada: “Fui pegar uma banana. Por quê? Não se pode mais comer banana nessa casa?”. Ou seja, grosseria tá na área. E o post falou bem sobre isso. Amabilidade é o desafio da vez aqui em casa.

Elas me deixaram compartilhar o post com vocês. Então, segue abaixo:

Escutamos muitas mamães reclamarem que seus filhos mudaram muito por volta dos 6 anos. Algumas dizem que eles entraram na adolescência. Querem expressar que os filhos não aceitam tudo mais como era antes e começam a impor fortemente seus desejos, manifestam contrariedade. Parece que só porque a mamãe pediu para fazer A, eles querem B.

Muitas famílias começam a sofrer quando essa fase surge. Aquela relação que era tão calma e afetuosa começa a viver conflitos, desgastes e o coração da mamãe entra em confusão. Parece que quando dormem são anjos, mas quando acordam… socorro, irritam, provocam, respondem e fica bem difícil lidar com esses mal humores precoces.

Mas pare para pensar um pouco, desde que nasceram seus filhos foram guiados, orientados, mandados em tudo por você. Tudo é controlado.

Por volta dessa idade começam a querer contrariar, mostrar que mandam, que sabem o que querem. Isso é saudável. Se forem bem conduzidas nessa fase serão preparados para analisar situações, prever as coisas, perceber melhor as coisas em volta, assumir riscos, e melhor, assumir responsabilidades. Se seu filho chegou nessa fase, está com esse comportamento, está na hora de ter uma conversa com ele. Fale que você percebe que ele cresceu, que tem desejos e vontades e então chegou a hora que ele pode escolher algumas coisas sem a mamãe interferir, mas existem coisas que ainda ele não pode decidir. Mas sobre tudo isso, vocês não abrem mão de ter um bom relacionamento e de se tratarem com respeito. Ensine seu filho que quando for falar ou impor uma opinião ele deve ser respeitoso, gentil e usar de bons argumentos, e não da grosseria.

Você, mamãe, avalie sobre tudo que impõe, retire algumas regras, seja mais flexível, negocie horários.

Toda vez que começarem aquela discussão, se acalme e ajude seu filho a falar, mostrando que aprecia a inteligência e o desejo dele, mas que isso deve ser feito de forma respeitosa.

Se ele for deseducado, diga que quando ele estiver pronto para falar educamente você volta a conversar. Os filhos precisam ter voz ativa em casa e você é quem deve ensiná-los a melhor forma de se expressarem.

Eu vou tentar o que elas colocaram ali. Alguém já passou por essa fase com sucesso?

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Comentários

  1. Vanessa Bastos disse:

    Oiiii tenho uma filha de 10 anos….imagina e bem difícil, as vezes não sei como agir….tem dias durante o mês Q e crítica à situação aqui em casa….ela grita, responde, chora…(por tudo) tempos difíceis. …..Gostaria de conversar com alguém sobre. ….pedir conselhos….essas coisas, sou sozinha com meu esposo , não tenho sogra ,mãe. ….e homem não entende nada disso rsrs. Será Q ela já está entrando na adolescência ? Não sei como agir…Como ajudar ela.

  2. Michelle de Carvalho soares disse:

    Meu filho tem 5 anos ,ele sempre foi difícil desde bebezinho, até creio que devido a gravidez turbulenta afetou sua memória intra uterina.
    Ele debate ,discute,reclama, argumenta desde a hora que acorda até a hora de dormir, sempre trabalhei,estou a 5 meses em casa, e me surpreendo a cada dia com suas ações, o pai falha ,c ele cedendo..eu sou firme na educação, então pra ele as vezes parece que sou sua rival, muito difícil ,não entendo tais atitudes nesta idade?

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Quem Sou

Sou Melina Pockrandt Robaina, filha de Deus, jornalista e mãe da Manuela (6 anos) e da Ana Júlia (1 ano)

Eu sou Melina, mas pode me chamar de Mel. Amo escrever, amo meu marido, amo minhas três filhas e, acima de tudo, amo Jesus. Moramos na Pensilvânia, nos EUA, e, sempre que consigo, gosto de falar sobre minhas experiências, aprendizados e desafios seja na maternidade, na vida cristã ou como imigrante.

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