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Afinal, o que são saltos de desenvolvimento?

30 de julho de 2015

Sempre brinco que a maternidade nos traz, entre tantas coisas, um novo vocabulário: cueiro, objeto de transição, puerpério e tantos outros termos que são familiares ao círculo de mães. Só com a Ana Júlia, entretanto, fui conhecer a expressão “saltos de desenvolvimento”.

Não sei se na época da Manuela isso ainda não existia (não a fase, mas a terminologia), ou se eu simplesmente não tinha tanto acesso à informação como agora, mas definitivamente não me era familiar.

Você já ouviu falar de saltos de desenvolvimento ou picos de crescimento? Comecei a ler sobre eles, pois geralmente são indicados como os culpados por fases mais difíceis pelas quais o bebê passa. A psicóloga e especialista em terapia familiar Miriam Barros explica de maneira geral:

“Os saltos de desenvolvimento ou picos de crescimento são os momentos que acontecem durante o desenvolvimento infantil, em que o bebê ou a criança adquire uma nova habilidade e ainda está tentando adaptar o seu sistema perceptivo e cognitivo. Isso exige uma evolução diferenciada das funções cerebrais e pode acontecer próximo a cada mudança: antes de rir, reconhecer, sentar, engatinhar, falar, andar etc.”

Entretanto, é importante lembrar que cada criança é uma criança. Além de eu não lembrar do termo “saltos de desenvolvimento” na época da Manuela, também não me lembro de ela ter passado por fases que hoje eu daria essa classificação. Claro que eu posso ter esquecido, mas ela pode não ter tido este tipo de manifestação.

Como explicam  as psicólogas Luciana Romano e Raquel Benazzi, do Núcleo Corujas, não há uma única forma de compreender o desenvolvimento infantil e as mudanças devem ser observadas num cenário maior:

“O ser humano é um ser biopsicossocial, por isso, toda vez que o bebê têm uma mudança de comportamento, de humor, de sono, alimentação ou até mesmo fica doentinho, estes três aspectos (social, biológico e psicológico) devem sempre ser analisados em conjunto, não individualmente, pois na verdade são inseparáveis e é isso que nos constitui como seres únicos e com uma personalidade individual.”

saltos de desenvolvimento

Segundo as especialistas, o primeiro ano de vida do bebê é o ano de maior crescimento físico e neurológico, pois ocorrem muitas mudanças ao mesmo tempo. “É neste período que ele vai desenvolvendo espécies de ilhas de consciência, a cada conquista, aprendizado e conhecimento adquirido. A cada fase de conhecimento, a criança consegue uma determinada organização mental (um equilíbrio) que lhe permite lidar com o ambiente. Há uma passagem constante de um estado de equilíbrio para um estado de desequilíbrio e para um estado de equilíbrio superior – obtendo uma nova maneira, mais eficiente, de lidar com o ambiente”, explicam.

Por causa destas mudanças, os bebês acabam interagindo com o ambiente de maneira diferente do que faziam até então. Sabe aquela criança que começa a ficar mais sensível e só quer colo? De repente, passa a acordar de madrugada quando já dormia a noite toda? Ou passa a comer mal? Estes são alguns dos sinais que podem ser demonstrados nesta fase conhecida como saltos de desenvolvimento.

“Para Winnicott, o mais importante neste fase é a qualidade do vínculo mãe-bebê, para que ele sinta-se seguro, amado e estimulado a se aventurar a descobrir o mundo. Para isso, tudo aquilo que envolve os cuidados ao bebê, o ambiente e as manifestações de carinho são essenciais para que ele tenha tais sensações positivas para seu desenvolvimento saudável”, comentam as psicólogas.

Aqui em casa, eu senti praticamente todas as fases com a Ana Júlia até agora. Considerando as épocas que ela estava prestes a manifestar uma nova habilidade, ela tinha alterações no sono, dificuldades de alimentação e, principalmente, ficava um grude comigo, super briguenta e ranzinza. Antes de andar, por exemplo, eu estava quase subindo pelas paredes, rs. Em compensação, quando ela começou a caminhar, parece que tiraram a brabeza com a mão!

A consultora de sono infantil Fernanda Braga, da MomMe Sleep Company (www.facebook.com/mommesleepcompanybrasil), ressalta que o bebê passa por saltos no desenvolvimento o tempo inteiro, podendo ser motor (rolar, sentar, levantar), social (relacionamento e interação com as pessoas), cognitivo (entendimento, aprendizado) e de linguagem (fala).

Ela citou por exemplo, o que acontece entre 4 e 6 semanas, quando a criança passa por um amadurecimento no organismo. “A criança que estava começando a ficar acostumada com a vida fora  do útero, de repente se depara com mais mudanças. É um momento difícil, em que o bebê chora mais sem muito motivo, pede colo o tempo inteiro, alguns só conseguem dormir nos braços da mãe, querem mamar mais. E é ainda mais difícil para o bebê, pois ele ainda não consegue se comunicar, não sabe esticar os braços para pedir colo.”

Já, entre 14  e 20 semanas, por exemplo, acontece uma grande mudança que dura em torno de 5 semanas, em que o bebê pode pedir mais atenção e ter alterações de humor.

“A partir desse salto do desenvolvimento ele vai começar a segurar objetos com a mão e vai se interessar por tudo a sua volta. Uma dica para os pais é ensine seu bebê a rolar de um lado para o outro, deixe-o brincar bastante no chão, deixe-o mais tempo peladinho, cante musiquinhas, faça caretas no espelho. Interaja bastante!”, comenta Fernanda.

Como cada bebê tem seu tempo, a idade específica dos saltos de desenvolvimento pode variar. As psicólogas do Núcleo Corujas passaram uma média de alguns marcos de desenvolvimento no primeiro ano, lembrando que são apenas uma referência:

Saltos de desenvolvimento até o 1° mês

O bebê já tem uma preferência à face humana, principalmente a mãe. Vira cabeça de um lado para o outro.  Visão ainda se desenvolvendo, com breve focalização, enxergando o que está perto dele.

Por volta de 2 meses

Já tende a acompanhar objetos em movimento. Começa a sorrir. Escuta e brinca com sua própria voz.

Por volta de 3 meses

Descobre as mãozinhas (mesmo sem saber que são dele) e dirige os braços para um objeto. Com apoio dos bracinhos consegue elevar a cabeça e tronco. Busca pelo contato social, atenção a vozes e sons. Até esta fase, já tem um tipo de choro para cada problema ou comunicação.

Do 4° ao 6° mês

Leva os objetos à boca. Estica, empurra e balança a perninha. Reclama quando o contato é interrompido. Manifesta seu desejo de forma mais autônoma.Transfere um objeto de uma mão para outra.

Por volta de 7 meses

Mantém-se brevemente sentado com apoio das mãos. Rola. Coloca pés na boca. Já emite sons contendo vogais. Procura ativamente o olhar da mamãe.

Do 8° ao 11° mês

Consegue ficar em pé com apoio, mas é capaz de engatinhar, levantar e sentar sem apoio. Reclama quando contrariado ou quando sente pouca atenção. Bate palma, joga beijinho. Dá significado a alguns gestos. Indica algo de sua vontade e balança a cabeça quando não quer algo. Verbaliza algumas monossílabas como “ba-ba”, “ma-ma”, “ne-ne”. Mãe e bebê já têm uma linguagem particular e a criança pode estranhar desconhecidos.

No próximo post, eu vou trazer as dicas da consultora Fernanda Braga especificamente para lidar com o sono nestas fases mais complicadas.

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Quem sou

Sou Melina Pockrandt Robaina, filha de Deus, jornalista e mãe da Manuela (6 anos) e da Ana Júlia (1 ano)

Eu sou Melina, mas pode me chamar de Mel. Moro em Curitiba (PR), sou jornalista, empresária e mãe de duas meninas maravilhosas: Manuela, 9 anos, e Ana Júlia, 4 anos. Um dos meus maiores alvos é tornar a vida mais simples e leve todos os dias.

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