Para Mães e Pais atividade física para autistas

Benefícios da atividade física para autistas

30 de agosto de 2017

Fazer exercício faz bem para todo mundo, mas hoje quero falar sobre os benefícios da atividade física para autistas. Isso porque tenho visto um trabalho bem bacana que é realizado com essas crianças lá na Cross Kids – a academia que as meninas fazem aqui em Curitiba. Segundo o professor Marcos Iubel, pioneiro na criação do circuito funcional adaptado para esse público, a prática para crianças autistas tem, a priori, os mesmos resultados que tem para os alunos típicos. “Os benefícios são vários, como controle do peso, melhora na qualidade de vida, ossos e músculos mais fortes, melhora na coordenação motora e agilidade”, enumera.

Atividade física para autistas

Mas os pais também podem esperar também evoluções diversas no comportamento do filho com o TEA – Transtorno do Especto Autista. “Com o tempo as crianças irão melhorar o comportamento durante as atividades propostas, ficando cada vez mais participativas. Quadros de birra ou irritabilidade também diminuem, uma vez que ela estará bem ambientada e acostumada com os exercícios. Aqui, na Cross Kids, a melhor resposta que vemos é fora do tatame, quando a criança passa a generalizar o que ela aprendeu na academia. Como, por exemplo, a hora de esperar a sua vez, de saber que o amigo da turma também tem a sua hora de fazer a atividade, entre outras habilidades”, comenta.

Consciência corporal e fortalecimento muscular

A minha querida amiga Andrea Werner, do Lagarta Vira Pupa (o maior site de maternidade e autismo do Brasil, quiçá do mundo), lembrou um aspecto importante que é a questão da consciência corporal. Ela lembrou uma vez que uma terapeuta do Theo (filho dela que é autista) disse que ele não respondia ao comando “bata o pé” simplesmente porque sequer sabia que tinha um pé e onde estava.  “A atividade física ajuda muito no desenvolvimento da consciência corporal e também no fortalecimento muscular, já que muitos autistas e também crianças com outros transtornos neurológicos apresentam hipotonia”, observa.

Gasto de energia e hiperatividade

Outro benefício inegável é o gasto de energia, já que muitas vezes o autismo vem acompanhado da hiperatividade. “Com a atividade física, a criança gasta toda essa energia e consegue se concentrar em outras coisas que são importantes”, comenta a Andrea. Além disso, ela contou que o gasto de energia, no caso do Theo que começou a fazer natação, ajudou-o a dormir melhor. “E com isso, tudo melhorou. A atenção, concentração na escola etc.”

Interação social e qual atividade escolher

A princípio autistas podem realizar todas as atividades. Tudo depende da habilidade de cada criança, já que o TEA é um espectro que abrange uma infinidade de características. Andrea lembra que é muito importante tentar identificar o que a criança gosta de fazer. “A criança só vai se desenvolver e aprender com algo que ela tenha prazer!”

Segundo o professor Marcos, todas as atividades realizadas no circuito funcional vão sendo direcionadas pouco a pouco à medida da necessidade do aluno. “A criança pode aprender muito por meio dos jogos e das brincadeiras, como regras simples, seja para delimitar o espaço da brincadeira ou qual posição ela deve permanecer quando brinca de pega-pega. Para as crianças com TEA esses aspectos simples fazem uma grande diferença no contexto social, pois a primeira interação que elas têm com os seus pares é justamente pelas brincadeiras. Uma criança que não brinca terá uma socialização muita dificultada”, comenta.

É preciso que a atividade seja direcionada para autistas?

Para o professor Marcos, sim. “A interação social, a comunicação, os reforçadores positivos são alguns aspectos que devem ser trabalhados de maneira diferenciada para que esse público possa se sentir parte do grupo no qual estão fazendo aula. Como cada criança é única, devemos saber quais as melhores estratégias de ensino para cada indivíduo.”

A Andrea lembra que mais importante que a atividade é exatamente a postura do profissional que vai aplicar. “Um professor preparado para trabalhar com crianças autistas precisa saber lidar com o imprevisível. Ele precisa saber que nem sempre o aluno vai responder ao comando específico de primeira, que aquela criança precisa de um tempo de adaptação em um novo ambiente, que existe uma forma específica de orientar os exercícios – lembra que às vezes a criança nem conhece as partes do seu corpo? Não pode ser qualquer profissional. Tem que ser alguém muito paciente e que tenha dom de trabalhar com crianças com algum tipo de dificuldade.”

Todos os autistas podem fazer exercícios?

Para a Andrea, sim! De todos os níveis de comprometimento, basta um direcionamento específico. O professor Marcos explica que lá na Cross Kids os autistas passam por uma avaliação para serem direcionados ao melhor tipo de atividade. “Na aula coletiva, a criança com TEA acompanha as atividades regulares da academia. Já em outros casos, dependendo da criança, será necessário que um acompanhante faça o papel de ‘sombra’ para que o aluno participe. Em último caso, temos a opção das aulas individuais, na qual o aluno terá o tatame à sua disposição para poder criar pré-requisitos e, futuramente, poder ingressar nas aulas coletivas.”

Serviço

Para saber tudo e mais um pouco sobre autismo, eu indico de olhos fechados a Andrea Werner: www.lagartavirapupa.com.br.

Para conhecer o trabalho da CrossKids Curitiba, acesse o Instagram ou Facebook.
R. Petit Carneiro, 190 – Água Verde – Curitiba
(41) 3015-8525
www.crosskidsbrasil.com.br

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Quem sou

Sou Melina Pockrandt Robaina, filha de Deus, jornalista e mãe da Manuela (6 anos) e da Ana Júlia (1 ano)

Eu sou Melina, mas pode me chamar de Mel. Moro em Curitiba (PR), sou jornalista, empresária e mãe de duas meninas maravilhosas: Manuela, 8 anos, e Ana Júlia, 3 anos. Um dos meus maiores alvos é tornar a vida mais simples e leve todos os dias.

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