Lá em Casa

Como eu deixei de amar o Brasil

9 de julho de 2014

bandeiraEu sei que esse é um blog sobre maternidade e não variedades, mas o blog é meu e escrevo o que eu quiser… brincadeirinha, hahahaha. Na verdade, eu preciso de um espaço para falar sobre isso e fiquei pensando que, invariavelmente, minhas opiniões e valores serão a base da criação das minhas filhas, quer eu queira, quer não. Assim, é válido discutir e repensar situações como essa por aqui.

Eu sempre fui apaixonada pelo meu país. Desde a infância, fui mais patriota que meus colegas da minha idade. Era um patriotismo tão grande que eu precisava cuidar para não se tornar um ufanismo cego. Tinha cerca de oito anos de idade quando decorei o hino nacional inteiro e o cantava com muita emoção, ainda que sozinha em casa. Passei minha adolescência admirando as belezas naturais, instituições públicas bem administradas (afinal, eu amava os Correios e Telégrafos do Brasil, rs), a variedade da cultura, a vida do povo brasileiro. Montei um projeto grandioso de oração pela nação (que não saiu do papel). Fiz questão de tirar meu título de eleitor assim que completei 16 anos e votar conscientemente em todas as oportunidades que tive. Tinha muita vontade de estudar fora, mas sempre com a consciência de que voltaria para meu lindo país.

Mas, de repente, alguma coisa mudou. Já não consigo me lembrar o momento exato, mas há algum tempo me pego pensando com frequência em sair do Brasil, critico mentalmente ou verbalmente o país, o povo, as instituições, os valores, as ideias, a sociedade, o futebol, enfim, tudo! Minha vontade é fugir e nunca mais voltar. E sem peso na consciência!

Ontem, antes do jogo da seleção, fui pega por grande emoção. Chorei cantando os versos do hino mais lindo do mundo (não é mesmo?). E comecei a questionar essa confusão de sentimentos no meu coração.

Pra começar, a seleção brasileira não é nem de longe tão boa quanto a de 1994 (com Taffarel, Dunga, Branco, Bebeto e cia.). Bom seria, entretanto, se o futebol fosse o “culpado” por tudo. Mas analisando friamente a última década, percebi que minha rejeição pelo Brasil começou em meados do primeiro mandato do Lula (eu votei nele na primeira vez) e só foi aumentando ao longo desses dez anos de governo petista. A corrupção (eu sei que não é exclusiva do PT e não tenho posições políticas baseadas exclusivamente em partido), as ações totalitárias camufladas de democracia, o assistencialismo que ultrapassa o normal e é usado para tornar eleitores reféns, a manipulação nas mais diversas formas de comunicação com a população… São tantos aspectos que nem consigo enumerar. Então, eu vi como tudo isso me fez odiar – por mais forte que a palavra seja – o meu país.

Mas dai eu lembrei que o país não são seus governantes, é seu povo, somos eu e você! Me senti muito mal pelos meus anos de “birra” com o Brasil e voltei a acreditar que a essência da nação somos nós. Apesar de um pouco de incredulidade sobre a possibilidade de mudar o governo, podemos ser um país melhor.

Quando ensinamos as crianças a serem éticas, não mentimos, devolvemos o troco extra, não jogamos lixo no chão, ajudamos os pobres e necessitados, respeitamos as pessoas independentemente de sua posição social, damos “bom dia” pro vizinho, temos compaixão pelos outros, sorrimos para as pessoas, trabalhamos com esforço e de modo digno, não sonegamos os nossos impostos por mais injustos que os achemos, cuidamos de nossas crianças e nossos idosos, denunciamos a injustiça, temos atitudes moralmente corretas… E claro, votamos conscientemente, pois a esperança é a ultima que morre. Se tudo isso for feito hoje e sempre, é possível resgatar a beleza do nosso Brasil, um país que é jovem, mas nem por isso precisa ser imaturo; um país que tem governantes corruptos, mas que vai às ruas pedir mudança; um país que gosta de futebol, mas também entende de política; um país de gente que gosta de bater bola na praia domingo de manhã, mas trabalha duro e honestamente durante a semana; um país de pessoas que cuidam de suas famílias, mas também olham para a necessidade do próximo…

Mas então, quando eu estava em meio à minha epifania patriótica, vi a população – que deveria ser sua essência – vandalizando as cidades por causa de uma Copa do Mundo. Quase não pude acreditar… Antes de desistir, entretanto – porque eu sou brasileiro e não desisto nunca, rs -, eu lembrei que, nessa política de “pão e circo” que vivemos, quando o circo acaba, nada mais natural que o povo se revoltar. Não concordo, não tiro a responsabilidade dos vândalos, mas não vou deixar que essas pessoas me tirem esperança de ver um Brasil melhor ou pelo menos mais amado por mim!

Enfim, por mais cheio de clichês e sentimentalismo que esteja, este texto é um desabafo de uma brasileira que quer amar seu país e criar filhos que também o amem!

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Quem sou

Sou Melina Pockrandt Robaina, filha de Deus, jornalista e mãe da Manuela (6 anos) e da Ana Júlia (1 ano)

Eu sou Melina, mas pode me chamar de Mel. Moro em Curitiba (PR), sou jornalista, empresária e mãe de duas meninas maravilhosas: Manuela, 9 anos, e Ana Júlia, 4 anos. Um dos meus maiores alvos é tornar a vida mais simples e leve todos os dias.

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