Lá em Casa

E nos dias ruins?

21 de fevereiro de 2014

E então quase duas semanas de aula já passaram. Sua filha, que estava triste por mudar de turma e que no primeiro dia implicou com a professora, finalmente estava começando a se adaptar e a ter melhores comportamentos com a nova prof.

Era uma quinta, dia que ela só vai para aula à tarde. Dormiu o quanto quis, passou a manhã brincando e vendo TV em casa. Almoçamos bem e fomos para a escola tranquilamente, sem estresse nem qualquer desentendimento. Chegamos na sala de aula, a cara da Manuela fechou. A professora cumprimentou e ela nem se deu ao trabalho de dar um meio sorriso. Senti que o dia ia ser difícil…

Dito (ou “pensado”) e feito. Cheguei para buscar a Manuela e a professora veio falar que o dia tinha sido complicado. A minha doce filhinha tinha mostrado a língua para ela e jogado o estojo em uma colega da sala. Fiquei desolada. Acho que a prof. percebeu porque logo remendou: “Mas conversei com ela. Ela pediu desculpas para mim e para a coleguinha. Ficou tudo acertado.”

Para mim, não ficou nada acertado. Eu saí da escola tão triste, pensando “onde eu errei?”. Eu sei que crianças são crianças e têm atitudes de crianças, mas tem coisa que é tão chocante, atitudes que você não espera da “sua princesinha”. Eu não consigo entender onde ela aprende alguns comportamentos. Se ainda em casa nós agíssemos assim (não mostrando a língua, mas sendo grosseiros) uns com os outros, até entenderia ela reproduzir as atitudes.

Mas, além de a gente buscar (ainda que muitas vezes falhemos) dar bons exemplos, desde que as aulas começaram eu venho explicando para a Manuela sobre a importância de respeitar a professora. Ainda que ela gostasse da anterior e não tivesse se adaptado com a nova, tenho dito que ao menos ela precisa ser educada, respeitosa e colaborativa em sala de aula. Expliquei que o “gostar” e a amizade podem demorar um pouco mais, assim como foi com a prof. do ano passado.

Enfim, foram tantos dias explicando, conversando, deixando também que ela se expressasse… Eu realmente achei que estava dando resultado. E, então, vem essa bomba.

Eu sei que você pode estar lendo isso e pensando “quanto drama, não é o fim do mundo”. Realmente, eu sei que não é. De nove dias de aulas, a Manuela teve dois dias ruins. Considerando que foram as primeiras semanas do ano, não acho que seja tão grave. Mas, infelizmente, eu ainda não consigo separar as atitudes da Manuela das minhas atitudes como mãe. Ainda olho para os erros dela e penso “onde foi que eu errei?”.

Talvez eu esteja atrasada, afinal já faz cinco anos que sou mãe. Talvez eu precise de mais cinco ou dez anos para parar de pensar assim. Talvez quando eu for avó e não concordar com alguma atitude da Manuela como mãe, eu ainda pense que falhei… Não tenho a resposta para o resto da minha vida. Só sei que hoje, nos dias ruins, ainda me sinto uma péssima mãe.

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Quem sou

Sou Melina Pockrandt Robaina, filha de Deus, jornalista e mãe da Manuela (6 anos) e da Ana Júlia (1 ano)

Eu sou Melina, mas pode me chamar de Mel. Amo escrever, amo meu marido, amo minhas três filhas e, acima de tudo, amo Jesus. Moramos na Pensilvânia, nos EUA, e, sempre que consigo, gosto de falar sobre minhas experiências, aprendizados e desafios seja na maternidade, na vida cristã ou como imigrante.

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