Para Mães e Pais culpa materna

Mães, nem tudo é urgente

28 de março de 2016

Domingos costumavam ser sempre iguais aqui em casa. Meu marido acordava com o despertador, bebia café, tomava banho, se arrumava e ia para o carro me esperar. Eu, por outro lado, já estava acordada no mínimo duas horas antes, quando a bebê acordou. Tomava um café com leite enquanto arrumava as camas, trocava as duas meninas, escovava os dentes delas, penteava os cabelos e, então, ia me arrumar. Em cinco minutos, eu precisava me trocar, lavar o rosto, arrumar o cabelo e passar o mínimo de maquiagem para poder sair, tudo isso com um bebê entrelaçado nas pernas. E sempre chegávamos atrasados na igreja.

Um dia, resolvi mostrar para ele esse cenário tão desigual e, felizmente, isso o incentivou a mudar e se envolver mais nessas e em outras tarefas.

É com frequência que me pego pensando em tudo o que eu faço no dia. Às vezes, antes do café da manhã já precisei trocar fralda, pijama e roupa de cama de um bebê que teve um problema com vazamento de xixi. Nas quatro horas da manhã, tenho mais trabalho com as duas meninas em casa do que tenho a tarde inteira no escritório com meus clientes.

E eu sei que não estou sozinha. Tenho certeza que você entende muito bem o que eu estou falando. Provavelmente, está lendo este texto enquanto faz alguma coisa, foi interrompida enquanto lia ou precisou deixar uma tarefa de lado para poder dedicar alguns minutos à leitura.

A boa notícia é que fomos feitas com uma capacidade imensa de dar conta de muitas tarefas – e fazê-las de maneira excelente. A notícia ruim é que, em meio a tudo isso, muitas vezes a gente se sobrecarrega e acaba no mau humor, na irritação, no cansaço extremo.

Aprendi que preciso desacelerar, e isso não significa deixar de fazer o que é necessário. Mas, sim, priorizar o que é realmente importante e não ter medo de pedir ajuda. Será que eu realmente preciso arrumar as camas antes mesmo de sentar para tomar café da manhã com as meninas? E se eu não tenho compromisso cedo, preciso ficar apressando minhas filhas para comerem mais rápido? É tanto estresse que pode ser evitado quando paramos de tornar todas as coisas urgentes e prioritárias.

Outra coisa que ainda é um desafio para mim, mas que é libertador, é saber deixar tarefas nas mãos de outras pessoas. Não é porque meu marido não faz exatamente do meu jeito que ele não pode fazer muito bem algo pela nossa casa ou nossas filhas.

Por fim, ainda estou no processo de entender que posso, sim, ter meus momentos de descanso. Não me culpar porque assisto a um filme ou seriado enquanto uma cochila e a outra faz lição. Ou por deixar as crianças com a avó para ir passear no shopping.

É preciso ter coragem para mudar a visão de que mãe é sinônimo de mulher atarefada, com olheiras, sem dormir, que está sempre trabalhando. Descansar, pedir ajuda, deixar tarefas para depois não são sinais de fraqueza. Pelo contrário, são um caminho para termos mais força.

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Quem sou

Sou Melina Pockrandt Robaina, filha de Deus, jornalista e mãe da Manuela (6 anos) e da Ana Júlia (1 ano)

Eu sou Melina, mas pode me chamar de Mel. Moro em Curitiba (PR), sou jornalista, empresária e mãe de duas meninas maravilhosas: Manuela, 9 anos, e Ana Júlia, 4 anos. Um dos meus maiores alvos é tornar a vida mais simples e leve todos os dias.

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