Para Mães e Pais

Ninguém vê quando a mãe não grita…

5 de março de 2020

Ontem pela manhã, Ana Júlia me tirou do sério. Em vez de responder na hora como toda a minha raiva me impelia a fazer, eu – adulta que tem aprendido a controlar as emoções e reações – disse para ela ir para o quarto que já iríamos conversar. Minha vontade era ir gritando para fazê-la entender beeeeem a minha ira. Mas fiz diferente.

Sentei na cama, mesmo diante da cara feia dela (que não estava diminuindo) e fiz várias perguntas calmas para tentar entender o comportamento dela: você está com dor? está com sono? ficou triste com algo que eu falei? sua irmã brigou com você? Depois de muitos “não” e “não sei”, ela se acalmou, me abraçou, pediu desculpa pelo comportamento errado e tudo ficou bem. Gastei o mesmo tempo que teria gasto gritando, com certeza, e tive um resultado bem melhor.

De noite, entretanto, uma outra situação fez meu sangue ferver. Desta vez, a minha ordem foi dura e bem firme. E não estava nem aí para saber por que ela estava se comportando daquela maneira.

Ontem não foi a primeira vez que sentei com ela e consegui ensinar calmamente sobre emoções, reações erradas, comportamentos negativos etc e tal. Ontem também não foi a primeira vez em que tive reações exageradas e não tão educativas.

Assim como tenho certeza que é na sua casa. Há calmaria e, infelizmente, gritos eventuais. O que a gente não percebe é que, se estamos buscando ser mães melhores, há muito mais conversa, diálogo e explicações do que respostas ríspidas ou reações exageradas.

Talvez a gente não perceba porque essas atraem olhares de outros, fazem os olhos de nossos filhos se arregalarem e despertam arrependimento em nós. Enquanto aquelas fazem parte do silencioso trabalho da maternidade diária que não chama atenção. E muita vezes, só desperta em nós a sensação de “não fez mais que a obrigação como mãe”.

Mas sendo ou não obrigação (sim, eu acredito que seja nossa função aprender a educar da melhor maneira possível), valorize e se dedique às conversas mansas, ao diálogo instrutivo e às intervenções educativas.

Não para evitar os olhares de outros aos seus gritos e reações irracionais. Mas sim porque é com esse trabalho silencioso dos bastidores que estamos conquistando o nosso sucesso como mães. Esse sucesso não vem com aplausos ou com prêmios, mas não precisamos disso para continuar nos esforçando. Valorize e se dedique a ser uma mãe melhor mesmo que ninguém veja.

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Quem Sou

Sou Melina Pockrandt Robaina, filha de Deus, jornalista e mãe da Manuela (6 anos) e da Ana Júlia (1 ano)

Eu sou Melina, mas pode me chamar de Mel. Amo escrever, amo meu marido, amo minhas três filhas e, acima de tudo, amo Jesus. Moramos na Pensilvânia, nos EUA, e, sempre que consigo, gosto de falar sobre minhas experiências, aprendizados e desafios seja na maternidade, na vida cristã ou como imigrante.

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