Lá em Casa

Os castigos da Manuela

7 de fevereiro de 2013

Eu já comentei em outro post, como seria bom se as crianças soubessem instintivamente o que é certo e deve ser feito. Mas não é assim. E infelizmente, na nossa missão de ensinar, precisamos usar do castigo algumas vezes como forma de mostrar o errado.

Em geral, a Manuela não precisa ficar de castigo. Conversas geralmente funcionam, mas de vez em quando precisamos de uma disciplina mais rigorosa. No começo, eu achava que era uma coisa ruim, mas hoje eu vejo que o castigo dá à criança a noção de causa-efeito, de que suas atitudes têm consequências e que, como será em toda vida dela, as consequências podem ser ruins se ela não pensar antes de agir.

Claro que os castigos precisam ser coerentes. Li um livro bem esclarecedor nesse aspecto (Socorro, Temos Filhos!, de Bruce Narramone). Ele explicava algumas coisas que parecem óbvias, mas esquecemos. Não adianta deixar a criança sem ver TV porque ela não comeu a comida ou não levar ela para passear porque ela quebrou um brinquedo. A disciplina precisa ser mais pautada em causa-efeito. Não fez a lição? Vai precisar fazer a lição agora mesmo que seja hora do seu programa de TV favorito. Não arrumou a bagunça na hora que era para arrumar? Agora a gente vai sair e você não vai porque vai ter que arrumar. Riscou a parede com giz de cera? Vai limpar a parede e vai ficar sem desenhar por uma semana. E assim por diante.

No caso da Manuela, agora com 4 anos, a gente vai tentando colocar isso em prática, torcendo para que dê certo. No primeiro castigo, ela ainda era muito pequena, mas eu achei que surtiu efeito. Poucos meses depois, ela riscou a parede e ficou sem poder usar giz de cera, nem lápis de cor ou canetinha. E ainda teve que limpar a parede. Nunca mais riscou.

Mais recentemente teve a questão da ingratidão, que até comentei no blog. A minha atitude pareceu funcionar. Ela passou a agradecer mais as coisas que ganha, mas ainda pede bastante…

Esse ano, tivemos uma experiência nova. Em uma noite, a Manuela me chamou no quarto e falou que tinha “sem querer” colocado o dente na cama. A cama dela é alta, estilo beliche, e por isso tem uma proteção do lado. E ela, não sei por que cargas d’água, colocou o dente em três lugares e tirou a pintura. Eu fiquei louca da vida, falei para ela que sem querer é uma vez, três vezes é palhaçada. Mas contive a fúria por um momento e falei que, como ela tinha me contado de livre e espontânea vontade, o castigo ia ser menor.

Fiquei alguns segundos pensando em que fazer e falei: “Essa cama custou caro e não dá para arrumar pintando por cima porque vai ficar feio. Então, porque você não soube cuidar das suas coisas, vai ficar sem ganhar absolutamente nada por um mês”. Pode parecer pouco, mas em duas semanas, ela já tinha umas três, quatro coisas em cima do armário esperando ela sair do castigo para poder usar.

O mais impressionante, entretanto, foi como ela caiu em si sobre o castigo. Uns dias depois, começou a colônia de férias na escola e ela tinha o dia da fantasia. Desde o ano passado, a gente estava contando os dias para comprar uma fantasia nova (eu sempre compro no começo do ano a que ela vai usar em todas as ocasiões). Quando finalmente chegou o aviso na agenda e estávamos pensando qual seria a fantasia que escolheríamos, lembramos do castigo. Ela disse: “Puxa vida. É verdade”. E assim, foi com a fantasia do ano passado.

Mas vou confessar uma coisa. O castigo deveria terminar só semana que vem, mas  tem festinha de carnaval na escola essa semana e eu estou louca de vontade de dar uma fantasia nova para a Manuela. Então, como ela nem sabe ainda o que é um mês, já liberei ela da disciplina… Às vezes, sou eu quem deveria ficar de castigo…

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Quem sou

Sou Melina Pockrandt Robaina, filha de Deus, jornalista e mãe da Manuela (6 anos) e da Ana Júlia (1 ano)

Eu sou Melina, mas pode me chamar de Mel. Amo escrever, amo meu marido, amo minhas três filhas e, acima de tudo, amo Jesus. Moramos na Pensilvânia, nos EUA, e, sempre que consigo, gosto de falar sobre minhas experiências, aprendizados e desafios seja na maternidade, na vida cristã ou como imigrante.

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