Para Mães e Pais

Só dá para ser boa mãe se a gente respeitar o tempo da criança

21 de outubro de 2016

Aprender a respeitar o tempo da criança acho que é um dos segredos para uma maternidade (e paternidade também) mais leve e feliz – além de benéfica para os filhos.

E quando digo isso, não estou falando sobre o tempo de desenvolvimento de cada habilidade. Isso também é importante, mas meu foco é algo bem mais diário e rotineiro: a pressa (ou a falta de pressa) com que as crianças fazem as coisas.

Explico com um exemplo:

Hoje Ana Júlia espalhou pelo chão da sala um brinquedo da turma da Mônica de montar o personagem. É uma cabeça e vários corpos, bocas, cabelos, braços e pernas. Estava tudo espalhado até que ela cansou de brincar e deixou no tapete. Eu mandei guardar, ela ignorou. Eu peguei a sacolinha onde se guarda o brinquedo, sentei no sofá com ela aberta e disse: vamos colocar as pecinhas aqui.

Ela resolveu guardar. Pegou a Mônica (meio montada, sem olhos, nem boca) e fez com que a boneca “pegasse” pecinha por pecinha e colocasse na sacola. Calcule: de 30 segundos a arrumação foi para cinco minutos.

Eu surtei? Não. Simplesmente esperei. Por que eu sou evoluída? Longe disso.

Eu esperei porque eu já entendi que a Ana Júlia não trabalha no mesmo ritmo que eu. Ela tem o tempo e a pressa dela para fazer as coisas.

 

respeitar o tempo da criança

Se ela está brincando de boneca e eu a chamo para fazer xixi, ela vai:
– arrumar a boneca em uma posição confortável
– ela vai dizer “fica aí, neném, eu já volto”
– ela vai olhar para a irmã e falar “não mexe, Mani”
– ela vai parar no meio do caminho, olhar para trás e repetir “não é para mexer, viu?”
– e só então ela vai para o banheiro

A partir do momento que eu entendi isso (que é bom, para MIM também, respeitar o tempo da criança)  a vida ficou mais fácil. Mais demorada, mas com menos gritos, nervosismo e estresse.

Entenda, a criança precisa:
– ouvir sua ordem
– processar sua ordem
– lembrar como deve agir para responder sua ordem
– e ainda organizar tudo que está fazendo para não “se perder”

“- Ah, Melina, então você é a diferentona evoluída que respeita o tempo da criança e não fica apressando os filhos?”

Não, não sou evoluída. Primeiro, porque não é sempre que consigo respeitar o ritmo das crianças aqui em casa. De vez em quando rola uns “vamos logo”, “agiliza”, “venha de uma vez”, em tons bem enfáticos.

Mas eu entendi que as crianças têm o ritmo delas e precisam ser respeitadas. Quanto mais pressa eu tiver, mais vai rolar nervosismo, estresse e irritação – para todos os lados.

Alerta: Respeitar o tempo da criança não significa aceitar a desobediência disfarçada

Algo muito importante que precisamos lembrar é que respeitar o tempo é diferente de aceitar a “enrolação” deliberada. Obediência também diz respeito ao modo. Não é apenas fazer algo, mas fazer sem reclamação e de imediato.

Nós, como pais, vamos ensinando e treinando nossos filhos na obediência. Eles precisam aprender a ouvir às autoridades e atender com prontidão. Obviamente, são ouvidos quando “apelam” respeitosamente e também são tratados com respeito em suas limitações. Fazer de imediato não significa fazer com a nossa pressa.

Porém, não podemos negociar a obediência. É mais fácil negociar? Com certeza. Mas isso não ensina a criança e produz filhos que não sabem responder bem às autoridades que estão instituídas. Não é aceitável que um adolescente queira “terminar a fase do jogo” antes de cumprir uma ordem de seu pai ou de sua mãe.

O respeitar o tempo da criança fala muito mais com nosso coração. Sobre a nossa disposição em entender os processos individuais e não entrar em batalhas pelo poder. E entender esse tempo também no processo de treinar a obediência. Entender que fazer de imediato não significa fazer com a nossa pressa.

 

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Comentários

  1. Pois é, Melina. Eu concordo contigo, mas não é uma tarefa fácil respeitar esse tempo. Exige um policiamento constante, pelo menos pra mim. O meu “normal” é ficar apressando o filhote – sabe-se lá por que a gente tem tanta pressa!
    Mas eu também faço esse exercício e já escrevi sobre o assunto, há algum tempo no meu blog.
    Para dar continuidade ao assunto, aqui:
    http://somelhora.com.br/index.php/2015/10/06/meu-filho-chega-atrasado-no-colegio/

    1. Melina disse:

      Adorei seu texto!! Beijo :)

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Quem sou

Sou Melina Pockrandt Robaina, filha de Deus, jornalista e mãe da Manuela (6 anos) e da Ana Júlia (1 ano)

Eu sou Melina, mas pode me chamar de Mel. Amo escrever, amo meu marido, amo minhas três filhas e, acima de tudo, amo Jesus. Moramos na Pensilvânia, nos EUA, e, sempre que consigo, gosto de falar sobre minhas experiências, aprendizados e desafios seja na maternidade, na vida cristã ou como imigrante.

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