Para Mães e Pais

O engano por trás do “eu não forço meu filho a fazer o que ele não quer”

9 de maio de 2017

Antes de mais nada, é importante conceituar corretamente a palavra. Aqui neste texto, não estamos falando de “forçar” através do uso da força física. Abordamos o “obrigar” por meio da autoridade natural que pais e mães têm sobre a criança – a mesma que é utilizada em qualquer momento da educação e criação de filhos!

Eu ouço muito atualmente (na época que a Manuela nasceu, isso não era muito forte) pais e mães dizendo que “não forçam seus filhos a fazerem o que eles não querem”. Num primeiro momento e sob um olhar rápido e genérico, isso é ótimo. Isso demonstra respeito pela criança como ser humano com vontade própria e demonstra uma educação baseada na autoridade e não no autoritarismo.

Mas sob esse argumento, muitos enganos podem se esconder. Outro dia, estava na academia das meninas, quando vi um pai intervir na aula ao ouvir o filho chorando. Até aí, tudo bem; a gente se preocupa mesmo quando nosso filho de três anos começa a fazer um escândalo. E nem sempre a gente consegue ter sangue frio de não se envolver (ainda que seja a orientação dos professores de lá). Entretanto, quando ele voltou começou a falar que não forçava o filho a fazer nada que ele não queria; “disse para o professor que se ele não quiser fazer o circuito, não precisa fazer, senão acaba perdendo o objetivo de estar aqui”. E, depois, continuou um discurso de como tirou a criança da escola porque ela não se adequava às rotinas da turminha.

Deixa eu pontuar as questões que me chamaram a atenção:

Cada contexto social exige um comportamento específico

Eu, por mais que eu quisesse muitas vezes, não posso ir trabalhar de pijama e roupão; na academia, eu devo fazer o que o instrutor orienta; na faculdade, precisava cumprir os horários e me comportar de determinada maneira nas aulas….E assim por diante! A gente aprende a se comportar em cada ambiente e em cada contexto específico. Se eu não gosto de fazer exercícios da maneira que o instrutor da academia me pede, então sou eu que saio e não a academia que se adéqua a minhas preferência.

Mas quando é com as crianças, a gente quer que tudo se adapte às necessidades e preferência delas. Isso não está certo! Elas precisam aprender – dentro de suas limitações, é claro – como se comportar em cada lugar. Na academia em questão, o circuito faz parte da rotina. Em uma primeira e segunda aula, num período de adaptação, é aceitável que a criança não queria fazer algo e esteja se acostumando. Mas não algo para ser implantado em longo prazo. Se o objetivo desse pai é que a criança interaja com outras, mas não precise seguir as regras daquele ambiente, então, o ideal é levar para outro tipo de atividade ou programação.

Os outros não são o problema

O discurso foi recheado de: “o professor não entende as necessidades dele”, “ele não queria ficar na fila, ele é muito mais avançado que as outras crianças”, “ele não queria fazer as atividades porque se interessava mais pelo outro parquinho”, e assim por diante. Ou seja, os outros têm que se adequar à criança e não o inverso. Isso é complicado porque quando ele chegar na idade obrigatória de frequentar à escola, vai encontrar as mesmas normas e terá dificuldade de se adaptar. E, queiramos nós ou não, vivemos em sociedade e isso implica se adaptar aos contextos, grupos sociais e comportamentos que não firam o próximo.

Infelizmente, vemos muitos adultos que têm essa ideia: “os outros são o problema e eles precisam de adequar às minhas necessidades”. É o clássico estacionar em fila dupla na hora de buscar as crianças na escola. A pessoa atrapalha dezenas de carros, gera um engarrafamento de duas quadras e muitas vezes tem uma vaga a alguns metros da porta da escola. Isso eu vejo todos os dias na escola das minhas filhas.

Empatia x egocentrismo

A criança não é o centro do mundo (nem da família) e ela precisa entender isso desde pequena (se não vai virar esse adulto da porta da escola). Outro dia, fiquei uns 10 minutos na escola da Ana Júlia na hora de levá-la para a aula esperando que ela cumprimentasse uma das funcionárias. As pessoas diziam “oi” e ela ignorava. Nessa vez, eu parei tudo para explicar que esse comportamento não é aceitável. Dar beijo e abraço é opcional – de acordo com a vontade da criança -, mas responder o “oi” e o “tchau” é inegociável, é questão de respeito e condição básica para viver em sociedade. Essa é a minha opinião.

A gente começa com o “oi” e o “tchau” e continua ensinando sobre como cumprir as regras nos diferentes contextos. Na escola, existem normas; na academia, existem regras; até mesmo no parquinho existe um comportamento que a gente espera que seja seguido. Não jogar areia na cara dos outros, esperar sua vez de subir no escorregador, não pegar as coisas dos outros sem pedir… Se a criança não quiser cumprir isso, você não vai forçar?

A educação de filhos envolve “forçar” muitas vezes

Vamos só lembrar que não estamos falando em usar a força física ou mesmo a chantagem emocional para a criança fazer o que deve. Estamos falando sobre termos autoridade na forma de educar. Infelizmente, forçar (nesse conceito) as crianças é algo completamento cotidiano na educação de filhos. Hoje mesmo a Ana Júlia acordou com a fralda seca, mas não queria sentar no vaso para fazer xixi. Ela insistia que não tinha para fazer. Precisei fazer com que ela subisse no vaso (usando a minha voz mais brava, rs) porque eu sei que ela tinha muito xixi para fazer (verdade), mesmo que ela não quisesse.

Ensinar a comer bem, escovar os dentes, jogar fora o lixo, arrumar a bagunça… A vida é cheia de coisas que as crianças não querem fazer, mas precisam ser ensinadas e não podemos abrir mão ou negociar. Se estivermos nessa crise de “não forçar” o resultado será que acabaremos sendo incoerentes: forçaremos a criança a fazer as coisas que nos afetam diretamente (arrumar a bagunça, comer direito etc) e tentaremos compensar deixando que ela faça o que quiser em ambientes que envolvem terceiros. O resultado vai ser em longo prazo: pessoas que não conseguem seguir regras básicas, têm dificuldades de se adaptar a diferentes ambientes e, muitas vezes, são isoladas porque são difíceis de se relacionar.

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Quem sou

Sou Melina Pockrandt Robaina, filha de Deus, jornalista e mãe da Manuela (6 anos) e da Ana Júlia (1 ano)

Eu sou Melina, mas pode me chamar de Mel. Moro em Curitiba (PR), sou jornalista, empresária e mãe de duas meninas maravilhosas: Manuela, 8 anos, e Ana Júlia, 3 anos. Um dos meus maiores alvos é tornar a vida mais simples e leve todos os dias.

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