Lá em Casa falar de morte para as crianças

O biso morreu! Como lidamos com o luto aqui em casa?

3 de setembro de 2018

Na semana passada, o nosso querido biso morreu. Meu avô, bisavô das meninas, faleceu aos 88 anos. Foi um choque porque ele estava muito lúcido e ativo. Tão ativo que, 20 dias antes, ele quebrou a costela porque resolveu subir numa escada e mexer no telhado. Ficou internado alguns dias, saiu do hospital e, infelizmente, o coração dele não aguentou mais. E ele foi descansar no meio da madrugada. E a dúvida sempre surge: como falar de morte com as crianças?

As meninas tinham visto ele uns 10 dias antes da morte. E, em geral, ele era bem presente em nossas vidas. Procurávamos, pelo menos umas duas vezes por mês, ir tomar café na casa do biso. Então, sabia que as meninas (Ana Júlia, aos 4 e Manuela, aos 9) iriam sentir a perda.

Como falar de morte com as crianças?

Eu não tenho uma resposta definitiva sobre como falar de morte com as crianças, mas posso contar como foi aqui em casa.

Como ele morreu de madrugada, fui para a casa dele encontrar as minhas tias e achei melhor meu marido ficar em casa com as meninas – que ainda estavam dormindo. Pela manhã, minha mãe ficou com elas e as levou para a escola normalmente no início da tarde. Elas não acharam estranho porque isso acontece de vez em quando. Enquanto isso, nós corremos atrás dos detalhes de funerária, liberação de corpo e toda essa burocracia que parece não ter fim.

No final da tarde, minha mãe as buscou na escola e as levou para sua casa. Nós ficamos no funeral até cerca de 21h e, então, buscamos as meninas na casa da vó e trouxemos para casa. Antes de dormir, contamos que o biso já estava velhinho e morreu.

Ana Júlia, aos 4 anos, fez algumas perguntas sem muita emoção, como “o que vai acontecer com o Ruivão (cachorro dele)?”. Já a Manuela, chorou bastante. E continuou chorando por pelo menos meia hora. Deitou na cama na hora de dormir e chorou mais!

Quando ela se acalmou um pouco, eu quis falar que ia ficar tudo bem, mas ela disse “não quero falar mais sobre isso hoje”. Eu já tinha falado que a gente iria no velório no dia seguinte e perguntei se ela realmente queria ir e ela afirmou que sim.

Posso contar uma história para falar da morte?

Virou estrelinha, foi morar com Papai do Céu… não sei como você pensa em falar de morte para as crianças. Aqui em casa a gente não mente nunca para as crianças, então falar que foi viajar e um dia volta não é uma possibilidade. Se a gente acredita que a pessoa foi morar com o Papai do Céu, como essa é a nossa fé, a gente fala: “A gente espera encontrar ele quando formos morar com Jesus também.”

Deixe o canal de comunicação aberto e pergunte para a criança se ela tem alguma dúvida. Podem aparecer as perguntas das mais estranhas e a gente tem que tentar esclarecer ao máximo.

Como lidar com as emoções da criança na hora da morte de um parente?

Acho que o mais importante é não censurar as emoções. Chorar é normal! Não importa em que você acredite sobre vida após a morte, todo mundo fica triste pela saudade que sentiremos da pessoa no mundo físico. Então, se a criança quer chorar, deixe chorar. Ofereça colo, abraço, carinho, conforto e diga: “Pode chorar! É normal!!”.

Nesse caso, também acho importante avisar que os pais também podem chorar – porque também vão ficar com saudades – para que a criança não fique chocada ao ver mamãe e papai chorando. Ao mesmo tempo que os pais não precisam ficar “se segurando”. Esse momento é importante para todos, faz parte do processo de luto. O mesmo vale para outras pessoas que as crianças podem encontrar no velório ou enterro.

Devo levar criança ao velório ou ao enterro?

Acho que vale de cada pais avaliar a maturidade do seu filho e também a importância da pessoa que morreu para a criança. No meu caso, eu achei importante levar pela presença que o biso tinha em nossas vidas. E achei que seria uma maneira de fechar um ciclo, de elas entenderem que ele não simplesmente “desapareceu”, né? Acho isso importante na hora de falar de morte com as crianças.

Como preparar a criança para o velório?

No meu caso, eu quis levar as meninas. Então avisei o seguinte para elas:

  • O corpo do biso vai estar em um caixão. É só o corpo que está lá. O espírito já foi morar com Jesus.
  • Talvez tenham algumas pessoas chorando. É que elas vão sentir falta do biso também. Se vocês quiserem, podem chorar também.
  • Não falem muito alto nem façam bagunça. Vamos respeitar esse momento para as outras pessoas, ok?
  • Depois, eles vão colocar o caixão no cemitério para deixar o corpo do biso guardado.

Como foi no velório?

A Manuela ficou emocionada quando viu o biso, mas não chorou mais. A Ana Júlia perguntou porque o corpo dele estava ali e o que iam fazer com ele. Explicamos que era um momento para quem quisesse dar tchau para o biso. Elas deram também e logo saíram da capela. Ficaram poucos segundos ali. Depois ficaram na ante sala brincando com o celular até a hora do enterro, que daí já não foi mais tão impactante.

Eu acredito que se o pais estiverem muito abalados, chorando demais, talvez não seja bacana levar a criança ao velório. Acredito que, nesse caso, os filhos podem ficar mais chocados com a reação do papai e da mamãe, além de se sentirem meio desamparados. Minha opinião…

Encontrei na internet uma cartilha bem interessante sobre como lidar com o luto infantil, confira nesse link.

 

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Quem sou

Sou Melina Pockrandt Robaina, filha de Deus, jornalista e mãe da Manuela (6 anos) e da Ana Júlia (1 ano)

Eu sou Melina, mas pode me chamar de Mel. Moro em Curitiba (PR), sou jornalista, empresária e mãe de duas meninas maravilhosas: Manuela, 8 anos, e Ana Júlia, 3 anos. Um dos meus maiores alvos é tornar a vida mais simples e leve todos os dias.

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