Lá em Casa

Crianças, Caim e acessos de raiva | Usando histórias da Bíblia para ensinar

2 de fevereiro de 2019

Ana Júlia, aos 4 anos, perdeu o privilégio de ir ao passeio. Ela estava muito animada – muito mesmo. Tanto que acordou cedo e se trocou sozinha para ficar pronta para sair.

Mas começou a se comportar mal. Respostas grosseiras e inadequadas levaram à advertência: “este é o último aviso. Se você fizer assim novamente, não vai passear”. Dois minutos e o comportamento errado veio de volta. “Você não vai!”

O choro foi instantâneo.

Como todo mundo tem direito de se sentir triste e chorar, disse que ela poderia ir chorar no quarto dela, para não acordar quem ainda estava dormindo. Ela foi, mas começou a chorar e gritar em plenos pulmões: EU QUERO IR! Foi tanto e tão alto que fechei as janelas em respeito aos vizinhos (se bem que não adiantou muito).

Foram entre 10 e 15 minutos (mas que pareceram 2 horas) de gritos EU QUERO IR e muito choro escandaloso. Entrei no quarto somente quando ela bateu a porta para lembrá-la, sem ironia (lembra sobre o melhor método de educação?) : “eu queria muito que você fosse também, mas você tomou a decisão errada. Eu não vou voltar atrás na minha decisão. Você pode chorar e gritar, só não pode bater as coisas. Isso não será aceito.”

Eu e o marido aguentamos firmemente os minutos eternos de gritaria e choro. Até que ela se acalmou. Aproveitei e – como se nada tivesse acontecido – a chamei para fazer o devocional. Lembra quando falei sobre usar livros para ensinar educação emocional aos filhos? Pois é. Aproveitei uma história bíblica para ensinar sobre acessos de raiva.

Usar as histórias e princípios da Bíblia para aprender a viver e se relacionar com os outros é (ou deveria ser) prática fundamental para quem é cristão. Mas mesmo quem não é pode usar as narrativas para ensinar os filhos. Por isso, resolvi falar aqui mesmo sabendo que nem todo mundo que está lendo compartilha da mesma fé que nós temos.

Caim e Abel

Abri a Bíblia em Gênesis, capítulo 4, na versão NTLH (uma versão da Bíblia mais fácil para ler com as crianças) e contei a história de Caim e Abel. Em resumo, Caim e Abel eram dois irmãos, um agricultor e o outro criador de animais. Os dois ofereceram uma oferta a Deus. Mas Deus só aceitou a oferta de Abel porque foi sincera. Caim fez meio de “qualquer jeito” e Deus queria mostrar para Caim que esse tipo de coisa não é bacana.

Mas pensaaaaa no ciúme que um irmão sentiu do outro (gêmeo, aliás). Ele ficou muito bravo! Deus, como um bom pai que é, chamou Caim para conversar e perguntou:

“Por que você está com raiva? Por que anda carrancudo? Se tivesse feito o que é certo, você estaria sorrindo, mas você agiu mal” (Genesis 4:6-7)

E Deus ainda completou explicando que o mal está sempre perto da gente, querendo nos dominar, mas cada pessoa precisa decidir não se deixar dominar pelo mal e fazer o que saber que é certo. Porque é isso que pais fazem: eles ensinam a criança a identificar o sentimento que estão tendo e mostram qual é a reação correta diante dele.

Só que Caim não ouviu a Deus e deixou que a raiva enchesse tanto o coração dele, que acabou matando seu irmão. :'(

Explicando sobre frustração e acessos de raiva

Contei essa história para a Ana, dando ênfase no que Deus ensinou para Caim, mostrando que todas as pessoas podem sentir raiva em alguma momento, que isso é comum, mas que a gente não pode deixar que o sentimento de raiva nos domine e nos faça ter atitudes que não são corretas: como ofender as pessoas ao nosso redor ou ter atitudes que as afastam (gritarias, por exemplo). E ela entendeu! Deu para ver nos olhos dela.

É claro que esse tipo de aprendizado é contínuo e evolutivo. Cada vez mais ela vai aprendendo a discernir o próprio sentimento e a fazer escolhas melhores nas suas reações. E a gente não pode desistir de ensinar.

Fruto do Espírito (aspectos da fé cristã)

Daqui para baixo, a explicação já veio para a nossa fé. Se você não é cristão, talvez não tenha tanto interesse nessa parte, mas fique à vontade para ler :)

Depois que ela entendeu a história e eu vi claramente que se identificou com o comportamento negativo (não precisei nem fazer a conexão direta), fomos para Gálatas 5 e eu mostrei para a ela a lista de frutos da carne.

Muito legal que a NTLH traz exatamente a expressão acessos de raiva. Então expliquei o que são esses acessos de raiva, além de gritaria, inimizades, divisões e brigas. Perguntei se ela já tinha visto alguém ter essas atitudes e ela disse que sim,

Em contraponto, mostrei o fruto do Espírito, com foco na amabilidade, mansidão e domínio-próprio. Aproveitei para expor minhas atitudes erradas. Falei sobre a última vez que gritei com ela, como foi errado, que preciso sempre pedir perdão para ela e para Deus quando tenho esse comportamento. E, principalmente, mostrei para a Ana que o fruto do Espírito é o comportamento que a gente deve ter, deve buscar e que temos ajuda divina para desenvolver.

Persista!

Nessas horas, eu me lembro da advertência divina em  Deuteronômio para que a gente não se canse de ensinar princípios e valores para nossos filhos. É o tempo todo: sentado, andando, em casa, no caminho… sem esmorecer!

educação através da bíblia

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Comentários

  1. Elaine Ribeiro disse:

    Maravilhoso! Obrigada por compartilhar! 😍🙏🙏

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Quem sou

Sou Melina Pockrandt Robaina, filha de Deus, jornalista e mãe da Manuela (6 anos) e da Ana Júlia (1 ano)

Eu sou Melina, mas pode me chamar de Mel. Moro em Curitiba (PR), sou jornalista, empresária e mãe de duas meninas maravilhosas: Manuela, 9 anos, e Ana Júlia, 4 anos. Um dos meus maiores alvos é tornar a vida mais simples e leve todos os dias.

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