Durante a Gravidez relato de parto humanizado

{Depoimento} Meu relato de parto humanizado

18 de abril de 2016

A Bárbara participou de um evento realizado pelo blog e quis compartilhar conosco o seu relato de parto humanizado para a chegada da Maria Alice. É claro que topei. E também é claro que chorei ao ler o texto! Segue essa história linda de mais um bebê nascendo com respeito às escolhas da mãe.

“Dia 3 de abril completei as 40 semanas. Já tinha então passado a data prevista do parto. No meu WhatsApp eram só pessoas perguntando: ‘E daí? Nenhum sinal? Não vai nascer?’ E eu tentando abstrair, não pensar em números e datas, precisava estar relaxada para rolar naturalmente.

Acordando na segunda percebi algo diferente, meio gelatinoso ao fazer xixi. ‘Acho que e o tampão! Ou não? Por via das dúvidas vou esperar mais sinais.’ Sentia já há alguns dias aquela sensação da barriga ficando dura – as famosas contrações de treinamento. Agora estavam vindo com uma leve cólica, mas nada regular, nem perto disso. O dia passou, fui para o Pilates, na esperança: vamos estimular! Passou mais um dia, não foi hoje.

Tinha visto pela manhã na janela do quarto da Maria Alice uma borboleta pousada. Borboleta, no sexto andar? Nunca tinha aparecido. Seria este o sinal? Talvez a borboleta não indicasse o dia, mas que estava perto. Ela viria ainda naquela semana!

relato de parto humanizado

40 semanas e três dias, acordo à 1h da manha tendo uma contração: opa, essa foi mais forte! Aproveitei que acordei e fui fazer xixi e, então, saiu uma gosma, agora maior com traços de sangue. Penso: agora sim, certeza que é o tampão. Depois falando com a Patrícia, minha doula, cheguei à conclusão que ele vinha saindo há dias, aos poucos. Dormi de novo, acordei depois de 2 horas com mais contrações. Muito cedo, de novo dormi. Às 5 horas da manhã acordei com dores mais fortes ainda. Pensei: é oficial, estou entrando em trabalho de parto!

O Eduardo não foi trabalha e estávamos nos preparando para a chegada da Maria Alice. Levantei-me, coloquei um top e um vestido. Estava calor e só queria estar confortável. E nada de calça, vai que ela resolvesse nascer? Hahahaha, quem dera fosse tão fácil assim.

Era quarta, dia da Cida, nossa diarista, vir. Tomei café e ficamos controlando o tempo das contrações. Vinham em cerca de 10 em 10 minutos. Marcava em um aplicativo e de tempos em tempos mandava a duração e frequência para a Patrícia, minha doula. Ela pediu para chamar a hora que quisesse, mas falei que estávamos bem eu e o Eduardo apenas. Descemos para caminhar no prédio, pois em pé era melhor. Foi bom, relaxar e conversar ao ar livre.

Na hora do almoço não quis comer. Só algo leve, pode ser salada de frutas?

Fiquei na bola de pilates cronometrando as contrações e dando uma garfada entre uma e outra.

De tarde cheguei à conclusão que não estava evoluindo. As contrações continuavam, vindo às vezes de cinco em cinco minutos, mas não duravam mais do que 30 segundos.

A Patrícia me ligou, queria saber se eu não precisava dela. Falei que não sentia evoluir, a dor estava mais forte, mas não o suficiente. Ela falou que às 18h viria de qualquer jeito. Foi bom, pois conversamos  e ela sugeriu a posição de quatro apoios com a bola, para intensificar o processo. Fizemos isso e senti que as contrações ficaram mais fortes mesmo.

Chegaram minha mãe e o Sherman já preocupados, pois sabiam que desde ceda eu estava com contrações. Devem ter se assustado comigo apoiada na bola, em cima do sofá, tendo dores.

Resolvi ir ao banheiro e junto com o xixi saiu um monte de sangue, muito mais do que aqueles do tampão. Vieram Eduardo, minha mãe e Patrícia para olhar. Resolvemos que deveríamos ligar para a Dra. Ju, minha obstetra. Ela orienta: vão para o Pronto Socorro para examinarem e ver a dilatação. Na última vez que ela me viu, na segunda-feira, eu estava com 4 cm de dilatação. E ela sugeriu duas opções: continuar neste processo, esperando, ou então já no hospital tentar um pouco de ocitocina para induzir. Falei para vermos com o plantonista como estava e, dependendo da dilatação, eu decidiria na hora.

Então fomos eu, Eduardo e Patrícia em um carro e minha mãe no outro. Muito trânsito, era uma noite de calor em Curitiba, todos resolveram sair. Sentada no banco do carro as dores foram piores, mas pensei: bom sinal!

Passei pela triagem e o Eduardo respondia às perguntas durante as contrações, pois eu não conseguia falar. O médico de plantão logo me examinou, fez o toque e deu a notícia que nem eu esperava: nove centímetros de dilatação!

Ele ligou para a Dra. Ju  e ela estava vindo. Nem dava tempo de fazer internação, fui levada direto para o CO. Fui sentada em uma cadeira de rodas, toda a turma me seguindo. Na porta do centro cirúrgico, tirei as alianças, deixei com a minha mãe e ela se despediu de mim com um beijo.

Lá dentro me colocam a camisola. Pedi para prenderem meu cabelo, estava muito calor e ia fazer força! Fomos pra o chuveiro quente, aliviou muito. Hora em pé, hora na bola, as contrações continuavam, saía mais sangue.

relato de parto humanizado

Que tal tentar na cama? Foi difícil sair do chuveiro, mais difícil ainda subir na cama. Ficamos novamente nos quatro apoios com a bola, eu queria que viesse e viesse, mais e mais. Nessa posição senti escorrer mais coisas além do sangue, percebi que a bolsa tinha rompido e pensei: oba, falta pouco! Mas nesta posição não estava evoluindo, então mudamos.

– Vamos colocar a barra na cama? – sugeriu a Patrícia. Sim, era uma cama PPP, própria para o parto. A posição que rolou era agachada de cócoras na cama e segurando a barra, para fazer força. Foi, e a dor foi ficando muito maior, parecia que eu estava em outro lugar, não conseguia participar do mundo com as outras pessoas, era tudo meio nebuloso.

relato de parto humanizado

– Vem, já da para ver a cabeça com cabelinhos. Coloca a mão, você vai sentir! – dizia a Dra. Ju

– Não… – eu só dizia não. Sei lá, não queria largar a barra e nem parar de fazer forca, ela tinha que vir!

Fiz muitas e muitas forcas, algumas eram efetivas e outras não. Não dava mais para ter medo, tinha que deixar arder e fazer toda a força que pudesse, que o meu corpo mandasse. Não sei quantas foram, mas senti algo ‘preenchendo’ tudo lá embaixo, estava saindo. Ardeu, parecia que ia estourar tudo, mas eu só queria que ela viesse logo para nós!

A cabeça saiu e a Dra. Ju falou:

– Pegue ela, puxe para você!

Não sei como soltei da barra e puxei seu corpinho para o meu peito, com a ajuda do Eduardo, e nessa hora ouvi chorar. Ela estava aqui! Que quentinha, no meu colo! Minha filha chegou.

relato de parto humanizado

Eu estava muito feliz! Que sensação! Ela ali no meu colo e era minha! Enquanto a Dra. Ju dava os pontos na laceração fiquei com ela ali no meu peito…  ela até mamou! Nem acreditei. Era muito amor e vem sendo, cada vez mais a partir daquela hora, 22h59min do dia 06/04/2016.

Obs: A minha doula se chama Patrícia Teixeira e a obstetra Dra. Juliana Chalupe Amado, ambas as pessoas mais doces e queridas que me atenderam, em toda a minha vida, no momento mais lindo que já tive! Agradeço muito as duas e principalmente ao meu marido Eduardo Palhano por me apoiar nesta decisão e na dura busca de um parto humanizado para a nossa filha. Sem eles não teria conseguido.”

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Quem sou

Sou Melina Pockrandt Robaina, filha de Deus, jornalista e mãe da Manuela (6 anos) e da Ana Júlia (1 ano)

Eu sou Melina, mas pode me chamar de Mel. Amo escrever, amo meu marido, amo minhas três filhas e, acima de tudo, amo Jesus. Moramos na Pensilvânia, nos EUA, e, sempre que consigo, gosto de falar sobre minhas experiências, aprendizados e desafios seja na maternidade, na vida cristã ou como imigrante.

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