Lá em Casa

Eu crio sem apego {o mito da mãe desapegada}

5 de junho de 2015

Quando a Manuela nasceu, há mais de seis anos, cama compartilhada era completamente contra-indicada – para não dizer proibida – pelos pediatras e outros profissionais da área da saúde. Eu nunca tive vontade de colocá-la para dormir na minha cama mesmo, então, não rolou nenhuma crise. Para não mentir, aconteceu uma ou duas vezes de, no cansaço da madrugada, eu levá-la dormir comigo, mas fiquei com tanto medo de a gente rolar por cima dela que não preguei o olho.

Como tudo na vida, as práticas da maternidade também evoluem e todo dia a gente aprende coisas novas. E eu dou graças a Deus por isso. Mas, também como tudo na vida, as pessoas agem com radicalismo inclusive na prática de criação escolhida. E isso parece que ficou mais explícito com a criação com apego (entenda mais sobre ela aqui).

Explico: não basta você decidir amamentar em livre demanda, você precisa gritar aos quatro ventos que isso é muito amor e que não consegue entender como as pessoas conseguem colocar rotina de mamada para o bebê. Ou não basta você compartilhar a cama, tem que afirmar que não consegue desgrudar do filho 24 horas por dia e jamais nesse vida conseguiria deixar seu bebê dormir em outro quarto sem cuidado e proteção.

Percebem as nuances?

Quem me acompanha há mais tempo sabe que minha filhas dormiram no berço. Eu tenho uma lista de motivos pelos quais escolhi isso e alguns argumentos que eu poderia “jogar na cara da sociedade” mostrando porque essa é uma opção maravilhosa. Mas meu papel não é esse. Meu papel não é entrar discutir o que é melhor: cama compartilhada ou berço. Nem qualquer outro aspecto da criação dos nossos filhos. A minha intenção aqui é tentar acalmar o coração de você que pensa como eu.

Outro dia, a Naty, do Roteiro Kids, postou o texto lindo A lenda do bebê interesseiro, que visa quebrar essa ideia de que colo estraga o bebê (inclusive, a resposta rápida ao choro do bebê – junto com a cama compartilhada e amamentação em livre demanda – é uma das premissas da criação com apego).  E eu achei muito bacana e pensei: “nossa, será que eu preciso abrir mais a minha mente e avaliar com mais atenção essa questão?”

Publiquei o post no Facebook abordando este aspecto e relacionando-o ao fato de minhas filhas terem sempre dormido no berço e eu ter criado rotinas de amamentação para as duas. E uma seguidora fez um comentário muito feliz: Eu não sei de onde saem alguns conceitos, tipo cama compartilhada + amamentação + LD = criação com apego. Não compartilhada + LA + horário de mamar = criação com menos apego. Tenho absoluta certeza que maternidade, amor, aconchego, segurança vão muito além disso.”

É para aplaudir de pé, não é mesmo?

A grande verdade é que eu não estava precisando abrir minha mente. A gente sempre precisa estar aberto para mudanças, mas neste caso específico eu me deixei levar pelas imagens e conceitos que são divulgados por aí que insinuam exatamente o que a leitora falou: se eu não compartilho cama, não amamento em livre demanda e não pego meu filho no colo imediatamente quando ele chora, eu crio sem apego.

É um engano sem tamanho!

Aliás, um autoengano. Eu não estou dizendo que quem pratica a criação com apego (ou cama compartilhada ou livre demanda) e fala sobre isso está necessariamente criticando os outros ou querendo causar desconforto. Na maioria das vezes, é só uma manifestação de satisfação pela escolha pessoal, principalmente porque muita gente critica a prática. Mas é difícil você ler algo como “crueldade deixar o bebê chorando” e não pensar imediatamente nas vezes que seu filho chorou e você não o pegou no colo imediatamente. Estão me entendendo?

Refletindo sobre tudo isso, especialmente, impulsionada pelo comentário da seguidora, eu cheguei à conclusão eu crio com apego, sim! Aliás, não conheço uma mãe que não crie com apego. Por isso este título (inspirado no post da Naty).

Criei rotinas de amamentação, dei mamadeira, minhas filhas dormiram no berço, não pego no colo imediatamente quando choram e, se eu amamentasse, eu não ia querer continuar depois de 1 ano de idade. Mesmo assim, tenho um apego imenso pelas minhas filhas.

Elas nunca passaram fome. Ensinei a dormir no berço. Eu sei identificar cada tipo de choro e responder a eles como eu acredito ser melhor. Busco ajudá-las a se acalmarem e nem sempre isso significa colo. Não rejeito quando vêm à minha cama com medo ou mesmo pedindo carinho. Dou abraço, dou beijo, amo mais que tudo.

A criação com apego tem fundamentos muito bacanas e coisas que devemos praticar (sim, devemos). Mas nada na maternidade funciona com fórmulas prontas. Cada família e cada casa precisam procurar o que melhor lhe serve porque a única coisa que tem resultado garantido é o amor! E isso eu posso garantir que tem de sobra no berço, na mamadeira, na rotina, no meu coração!

Observação: a livre demanda e a amamentação até os dois anos de idade são recomendações da Sociedade Brasileira de Pediatra – assim como NÃO compartilhar cama. Ou seja, são recomendações que indicam o melhor para as crianças, mas que nem sempre funcionam como na teoria. A livre demanda na minha primeira filha foi prejudicial por conta da informação equivocada das campanhas do Ministério da Saúde (você pode ler mais sobre isso aqui). Além disso, quando falo em criar rotina de amamentação, não é enrolar o bebê chorando até dar 3 horas de intervalo, mas ir criando uma programação que ofereça o seio em horários que seu filho normalmente sente fome, antecipando-se a este momento. Muitas mães que praticam a LD baseadas na criação com apego preferem inclusive oferecer o seio a chupetas e bicos artificiais, mantendo o bebê no peito por mais tempo do que simplesmente nas mamadas. É uma opção!

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Quem sou

Sou Melina Pockrandt Robaina, filha de Deus, jornalista e mãe da Manuela (6 anos) e da Ana Júlia (1 ano)

Eu sou Melina, mas pode me chamar de Mel. Amo escrever, amo meu marido, amo minhas três filhas e, acima de tudo, amo Jesus. Moramos na Pensilvânia, nos EUA, e, sempre que consigo, gosto de falar sobre minhas experiências, aprendizados e desafios seja na maternidade, na vida cristã ou como imigrante.

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