Para Mães e Pais pasta de dente sem flúor

Pasta de dente sem flúor ou com flúor para as crianças?

22 de março de 2016

Quando a Manuela começou ir ao dentista, a recomendação que ela me deu e que eu lia em todo lugar era a de usar pasta de dente sem flúor. Isso porque crianças que ainda não sabem cuspir poderiam ingerir o flúor e comprometer a sua saúde. Por isso, existem produtos destinados a diferentes faixas etárias.

Logo em seguida comecei a ler diversos textos que diziam que a pasta de dente sem flúor não teria nenhuma eficácia na proteção contra cáries, então a recomendação seria inadequada. Lá com a dentista das meninas, a orientação era o creme dental sem flúor, mas eu mandava manipular uma solução líquida que continha a substância e passava com gaze nos dentes na escovação da noite. Isso permitiria que o flúor fosse diretamente para os dentes sem a ingestão em grande quantidade. Mas preciso confessar que sempre falhava nisso.

Recentemente, a Associação Americana de Pediatria se manifestou a favor do flúor na higiene bucal das crianças desde 1 ano de idade. E com tanta informação divergente, pedi para a odontopediatra Denise Cristina Pazin Yamamoto esclarecer algumas dúvidas sobre o tema:

O que é flúor? Qual sua função na saúde bucal?

O flúor é um composto mineral encontrado na natureza e uma vez em contato com o corpo humano têm dois tipos de ação:
– Sistêmica: quando ingerido, é conduzido pela corrente sanguínea para ossos e dentes em formação, agregando fósforo e cálcio e colaborando para a dureza destas estruturas.
– Tópica: ocorre depois que os dentes nasceram e estão expostos aos ácidos intrabucais que variam em suas concentrações de acordo com o que comemos. Assim, o flúor ajuda no processo de remineralização do esmalte do dente depois de exposto à concentrações de ácidos que roubam minerais de sua estrutura, tornando o esmalte mais duro e resistente.

Por que há indicação de que bebês devem usar pasta de dente sem flúor?

Apesar de existir em águas naturais, a quantidade de flúor foi aumentada nas águas de abastecimento como uma estratégia de saúde pública, comprovadamente eficaz, para reduzir o índice de cárie na população do nosso país. Desta forma a disponibilidade de flúor ingerido aumentou e, nessa época, as recomendações de quantidade de creme dental (que também continha flúor) eram totalmente equivocadas e bem exageradas.

Assim, o aumento considerável, sem as devidas orientações, acarretaram um sensível crescimento nos casos de fluorose (alterações estruturais que danificam permanentemente os dentes) em crianças. Isso porque, além das águas de abastecimento, elas ingeriam cremes dentais em quantidades exageradas. Por esta razão, durante muito tempo a retirada completa do flúor da higiene dental das crianças representou uma solução para o problema.

Por que há outras orientações mais recentes sobre isso? O que mudou?

A administração ou não de flúor sempre foi pautada pela necessidade específica de cada criança e isto varia diretamente de acordo com a dieta e hábitos de higiene. Enquanto algumas crianças têm dietas saudáveis, outras possuem dietas ricas em açúcares, mamadeiras noturnas e outros hábitos nocivos. Analisando este quadro, cada criança apresenta um perfil de risco para a cárie e as de alto risco sempre precisaram de complementação de flúor para equilibrar fatores negativos.

O que mudou agora foi a oficialização de algo que, na prática clínica da odontopediatria, já observávamos que surtia efeitos benéficos. O que é necessário esclarecer é que o uso do flúor deve ser adequado para o perfil de risco de cada criança, a concentração e quantidade que vai ser usada deve ser orientada aos pais e seguida à risca para que não venhamos a ter efeitos não desejados. A ingestão é nociva sim, mas apenas se as orientações do profissional que acompanha a criança, forem descumpridas.

Quais são as entidades que dão as diretrizes sobre isso?

No Brasil, seguimos as recomendações da Sociedade Brasileira de Odontopediatria. Apesar do uso racionalizado do flúor  ser a recomendação oficial do órgão brasileiro de odontopediatria desde 2009, somente agora a Associação Americana de Pediatria se manifestou a favor do uso. A Sociedade Brasileira de Pediatria concorda com a orientação. “Alinhado com as recomendações da Academia Americana de Pediatria, o Departamento de Pediatria Ambulatorial da SBP recomenda que crianças a partir do primeiro dente usem uma escova macia e uma quantidade de pasta que equivale a um grão de arroz“, diz Tadeu Fernando Fernandes, pediatra e presidente do Departamento de Pediatria Ambulatorial da SBP (Guia de Recomendação para Uso de Fluoretos no Brasil publicado pelo Ministério da Saúde em 2009).

Em resumo, posso usar a mesma pasta de dente para crianças de qualquer idade?

Sim, desde que seja na quantidade adequada que, segundo nossas orientações, corresponde ao tamanho de um grão de arroz. As pastas infantis variam de 0 a 1.000 ppm (partes por milhão) de flúor. Em teoria uma pasta de dente sem flúor poderia ser utilizada em grandes quantidades sem acarretar problemas, mas devemos concordar que acostumar a criança a usar grandes quantidades de pasta não é bom para seus hábitos de higiene. Devemos lembrar que as pastas infantis são saborosas e, em geral, as crianças apreciam o sabor docinho e a ingestão. Aí entra a supervisão dos pais monitorando a quantidade que vai ser usada e ensinando a criança que creme dental não é para ser engolido.

Se usarmos a quantidade de grão de arroz, mesmo as crianças pequenas que ainda não sabem cuspir, não estarão sob risco de efeitos nocivos. Crianças maiores que já sabem cuspir e usar corretamente o creme dental, já não precisam de uma fiscalização tão rígida. A correta avaliação de perfil de risco de cada criança deve ser estabelecida mesmo por um profissional que a acompanhe e conheça seus hábitos. Com o nascimento dos primeiros dentinhos, muitas vezes o profissional não irá julgar necessário o uso de dentifrício fluoretado; conforme a dieta da criança comece a evoluir e dependendo da dificuldade dos pais em fazer a correta higiene, as orientações podem mudar.

O que observar na hora de comprar o creme dental?

As recomendações devem sempre partir dos conselhos do dentista que acompanha a criança. Se houver necessidade do flúor, a concentração recomendada pelo profissional estará impressa na embalagem do creme dental.

O que fazer se o dentista do meu filho não segue as diretrizes atualizadas?

Se seu filho faz o acompanhamento odontológico com um profissional no qual você confia, faz retornos regulares e não tem histórico de doenças bucais, porque não continuar seguindo suas recomendações? Não devemos ignorar a experiência profissional de cada odontopediatra conquistada ao longo de anos de experiência clínica. Se porventura houverem divergências de idéias, cabe aos pais decidirem o que será melhor para a saúde da criança.

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Quem sou

Sou Melina Pockrandt Robaina, filha de Deus, jornalista e mãe da Manuela (6 anos) e da Ana Júlia (1 ano)

Eu sou Melina, mas pode me chamar de Mel. Moro em Curitiba (PR), sou jornalista, empresária e mãe de duas meninas maravilhosas: Manuela, 10 anos, e Ana Júlia, 5 anos. Um dos meus maiores alvos é tornar a vida mais simples e leve todos os dias.

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