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Para Mães e Pais relactação meu leite secou

{Depoimento} Relactação: Meu leite secou, mas consegui amamentar meu filho

14 de janeiro de 2016

Conheci a Ana quando eu estava na 8ª série e estudávamos na mesma escola. Continuamos amigas por algum tempo, mas depois nossos caminhos tomaram rumos diferentes e acabamos nos reencontrando apenas nas redes sociais. Agora, ela está morando com o marido na Itália e tem um lindo bebê chamado Oliver. Ela me procurou porque queria contar a história dela com a amamentação e relactação: “meu leite secou, mas ainda sim consegui amamentar”. Achei um depoimento que vale muito a pena ser compartilhado.

Depoimento sobre relactação

Durante a minha gravidez eu pequei em não dar muita atenção no quesito amamentação. Achei que aconteceria naturalmente, que ele simplesmente pegaria o peito e seria tudo perfeito. Errado! Eu não tive muita informação na maternidade onde o Oliver nasceu. Aqui na Itália, as pessoas tendem à praticidade, então, se não deu certo a pega, passa pra mamadeira sem nenhum estresse. Mas eu não queria dar mamadeira, eu queria amamentá-lo e sentir essa magia.

Quando meu leite desceu, a pega provavelmente não era correta, e uma ferida enorme saiu no bico do meu seio esquerdo. Meu marido esteve e ainda está sempre ao meu lado e foi atrás de tudo quanto é produto e objetos que a pediatra e enfermeiras do hospital aconselharam. De todos os produtos, o pó de arnica, concha e o bico de silicone me ajudavam muito, mas não resolveram o problema. Sempre que meu seio estava para cicatrizar, estava na hora de mamar e aí ficava em carne viva novamente.

Eu tinha leite, só queria amamentá-lo sem chorar de dor.

Exatos 30 dias depois, eu comecei a sentir uma dor enorme nas costas que me travou e não conseguia mais me levantar e nem amamentar. Fomos para o hospital onde dei à luz e por lá passei pela ginecologista porque podia ser efeito da anestesia, mas não era. Me diagnosticaram uma leve gastrite, me medicaram, a dor nas costas passou e voltei pra casa.

Uma semana depois, os mesmos sintomas, mas dessa vez uma dor leve nas costas e uma dor profunda na boca do estômago, parecia que eu ia morrer de tanta dor. Corremos para o mesmo hospital onde fui diagnosticada com “coliciste acuta”, em português, pedra na vesícula com um grau de infecção altíssimo. Eu estava cinza.

Enquanto eu esperava junto ao meu marido, meu filho começou a chorar de fome e eu não tinha condições de amamenta-lo. Foi quando ouvi o enfermeiro pedir ao meu marido para ir até a maternidade e lá eles dariam o leite artificial para ele. Aquelas palavras me feriram de uma maneira incrível, pois eu me sentia totalmente incapaz… Me sentia culpada por não poder amamentá-lo.

Me internaram imediatamente e os médicos foram bem legais comigo, pois me internaram na ala da maternidade para que eu pudesse ficar com meu filho e amamenta-lo quando eu conseguisse. Ele ficava o dia inteiro comigo e era amamentado por mim. À noite ele voltava pra casa com meu marido e lá tomava leite artificial, quando o leite que eu tirava acabava.

Fiquei 15 dias internada, dos quais 6 sem comer e sem beber, sendo hidratada através de soros e bombardeada com antibióticos para acabar com a infecção e ser operada (ressalto que todo remédio que me davam, elas me diziam se eu podia amamentar ou não; quando não, eu tinha que tirar o leite e jogar fora).

Em um certo momento tiveram que me transferir para a ala cirúrgica, onde a entrada do meu bebê foi proibida devido a sua imunidade (ele tinha somente 40 dias), mas continuaram sendo legais comigo e separaram uma sala na pediatria onde eu podia continuar amamentando e podia ficar com ele durante umas 3 horinhas. Com todo esse estresse e alimentação inadequada, meu leite secou. Vi meu leite desaparecer progressivamente: de 300 ml que eu tirava, passei a tirar 90, depois 30, até não sair mais nada! Eu chorava muito, mas coloqui na cabeça que eu não ia desistir e voltaria a amamentá-lo quando tudo estivesse ok.

Comecei a pesquisar métodos para o leite “voltar” e descobri histórias sobre mães adotivas que conseguiam amamentar no seio. Era mais um motivo para não desistir. Eu colocava o despertador de 3 em 3 horas para usar o tira leite mesmo não saindo nada, somente para estimular a mama.

Fui operada, voltei pra casa depois de alguns dias e comecei a estimular meu seio com o meu filho. Eu dava a mamadeira e no final o colocava no meu seio. Meu leite foi voltando devagarinho e de 120 ml de mamadeira passou a 30, a 20, até o ponto dele rejeitar a mamadeira e querer somente o peito. Hoje eu agradeço a Deus, por ter me dado força por não ter desistido. Ao meu marido por tanta paciência, ajuda psicológica e tanto amor. A minha concunhada por toda ajuda, carinho e atenção com meu filho.

O que descobri com isso tudo é que há muita falta de informação a respeito da amamentação. Existem pessoas que optam pelo aleitamento artificial por vários motivos e não julgo nenhuma mulher por isso. Mas EU, eu queria amamenta-lo. E hoje sou muito feliz por não ter desistido. Já faz mais de 30 dias que ele não pega a mamadeira.”

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Quem sou

Sou Melina Pockrandt Robaina, filha de Deus, jornalista e mãe da Manuela (6 anos) e da Ana Júlia (1 ano)

Eu sou Melina, mas pode me chamar de Mel. Moro em Curitiba (PR), sou jornalista, empresária e mãe de duas meninas maravilhosas: Manuela, 11 anos, e Ana Júlia, 6 anos. Um dos meus maiores alvos é tornar a vida mais simples e leve todos os dias.

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