Para Mães e Pais culpa materna

“Não troco por nada” e a síndrome de culpa materna

12 de agosto de 2015

Ah, a eterna luta com a culpa materna.

Não escondo de vocês as minhas insatisfações com a maternidade. Tanto aqui no blog quanto nas redes sociais, falo abertamente das minhas dúvidas, frustrações e dificuldades em ser mãe. Já falei das coisas que sinto saudade da vida sem filhos, do cansaço extremo, das irritações do cotidiano. Mas quem me acompanha sabe do amor incondicional que sinto pelas minhas filhas e o quanto sou feliz com a maternidade.

Mas vejo, principalmente nas redes sociais, a necessidade constante das pessoas afirmarem essa felicidade em ser mãe quando concordam com alguma das coisas negativas. Deixe-me explicar melhor: eu faço um post falando que estou com muito sono porque não consigo dormir mais do que cinco horas por noite há duas semanas. Diversas pessoas comentam que se sentem assim também, mas sempre terminam o comentário com algo como “mas meu filho é tudo para mim”, “mas o sorriso do meu filho compensa tudo”, “mas amo mais do que tudo”.

máscaras da maternidade culpa materna

Eu realmente acredito que essas mães não trocariam por nada, que o sorriso dos filhos compensa e que elas amam mais do que tudo. Mas, ainda que elas não me falasse nada disso e terminassem o comentário dizendo que também estavam cansadas, eu não duvidaria jamais que elas são felizes sendo mães. Vocês percebem a sutileza?

Na nossa maternidade, estamos sempre tentando atestar o nosso amor e nos eximir de culpa, terminando qualquer desabafo com um “mas não troco por nada”. E eu entendo completamente porque eu mesma, em muitos posts, já faço uma observação deste estilo, às vezes no fim, às vezes logo no começo, tudo para deixar bem claro que uma insatisfação momentânea não muda o fato de eu ser feliz sendo mãe.

Mas no fundo acho que isso é mais uma das prisões da maternidade: a necessidade de estar sempre se afirmando enquanto mãe, uma mistura de culpa materna com autocrítica, comparação e acusação deste meio. Precisamos nos libertar desta pressão!

Estar exausta não significa que você não ama seu filho.

Estar frustrada não significa que você não ama seu filho.

Estar cansada dos desconfortos da gravidez não significa que você não ama seu filho.

Ter preguiça de cozinhar papinha para o bebê ou de amamentar de madrugada não significa que você não ama seu filho.

Ficar de saco cheio de pegar comida no chão não significa que você não ama seu filho.

Ficar irritada com a bagunça de brinquedos na sala não significa que você não ama seu filho.

Enfim, podia fazer 10 mil posts falando sobre situações do dia a dia, que parecem negativas, mas são mais comuns do que você pensa, e não são um atestado de “má mãe”. Por isso, quando você se sentir assim e, eventualmente, quiser falar não precisa se justificar ou ficar afirmando o seu amor porque ele continua real como sempre. E, mais importante, seu filho sabe e sente isso!

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Quem sou

Sou Melina Pockrandt Robaina, filha de Deus, jornalista e mãe da Manuela (6 anos) e da Ana Júlia (1 ano)

Eu sou Melina, mas pode me chamar de Mel. Amo escrever, amo meu marido, amo minhas três filhas e, acima de tudo, amo Jesus. Moramos na Pensilvânia, nos EUA, e, sempre que consigo, gosto de falar sobre minhas experiências, aprendizados e desafios seja na maternidade, na vida cristã ou como imigrante.

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