Para Mães e Pais comparação entre mães

Por que a comparação entre mães é tão sem sentido

22 de junho de 2015

No último sábado, tive o privilégio de ser convidada como preletora do encontro MOPS, na PIB Curitiba. O tema que me foi proposto era: “Sou tão mãe quanto você – Coragem para esquecer as comparações”. Vocês acham que eu gostei? Claro!! Não precisavam nem insistir. Amo falar sobre a insensatez da comparação entre mães.

Uma vez contei por aqui que, em uma apresentação de Dia das Mães da Manuela, uma mãe veio me perguntar se ela (com 2 anos e cinco meses) chorava para ficar na escola. Eu disse que normalmente não, já que ela estava desde o berçário e retornei a pergunta. Na minha cabeça, a filha dela deveria chorar e ela queria alguma dica do que fazer. Doce ilusão. Ela logo falou: “A minha só está há uma semana na escola e não chorou nem um dia”.

Essa cena resume bem um dos aspectos cruéis da maternidade: mães que querem mostrar que seus filhos são muito melhores em todas as coisas. Felizmente, eu já estava vacinada: olhei para ela com meu melhor sorriso uau-seu-filho-é-o-máximo-e-você-deve-ser-uma-ótima-mãe e falei: “que legal”.

Como comentei, já estava vacinada. Mas não porque sou melhor do que ninguém, mas porque fui forçada a isso. A Manuela (que hoje tem 6 anos) nasceu prematura e demorou para tudo: para ganhar peso, para rolar, para sentar, para comer, para engatinhar, para andar… Ou eu entendia que ela era única e parava de compará-la a outras crianças, ou eu iria ficar maluca. Felizmente, fiquei com a primeira opção e isso me faz uma mãe mais realizada até hoje.

A comparação entre os filhos – e também entre as mães – é tão sem sentido porque ninguém é igual a ninguém. Lá no Mops, iniciei a palestra com um provérbio bíblico que gosto muito:

“Cada coração conhece sua própria amargura, e não há quem possa partilhar sua alegria!” (Pv 14:10)

Ou seja, ninguém conhece o que se passa na vida da outra pessoa – nem para o bem, nem para o mal.

A comparação tem um efeito devastador na nossa vida e na vida dos outros. Isso porque ela:

A comparação entre mães nos cega:

A comparação – diferente da inspiração – nos leva a colocar as pessoas em um pedestal ou na sarjeta. As pessoas boas são ótimas, com uma vida perfeita, infalíveis. Tudo é melhor do que na nossa vida. Sua grama é tão mais verde… Não há nada de errado (ainda que queiram falar e nos mostrar).

Os “ruins” são péssimos, egoístas, maus. Sabe aquele papo de que a mulher não amamentou por preguiça ou não se esforçou suficiente? Mais ou menos nessa linha de raciocínio.

Nos estagna:

Este aspecto está relacionado às pessoas que nós queremos ser: estas pessoas infalíveis das redes sociais, do comercial de fralda, das revistas de fofoca. Ficamos tão focados na vida que queremos ter que não conseguimos viver o que precisamos, dentro da nossa casa e com a nossa família. Todos perdem porque nós nunca seremos “aquela outra”. Eu não fui feita para ser ela e, sim, eu mesma!

Mina a nossa autoestima e nos torna ingratas:

Ficar sempre olhando para o verde da grama do vizinho, nos torna insatisfeitas com o nosso próprio jardim e nos priva de ver a beleza que há nele. Como ficar feliz com um bebê que dorme seis horas por noite, se o filho dela dorme oito horas? Como ficar feliz que perdi 3 quilos depois do parto, se ela perdeu 13?

Nos torna críticas:

Já falei uma vez por aqui que, quando estamos sempre comparando as nossas vidas com as dos outros, iremos invariavelmente ficar insatisfeitos com algo que fazemos. Na tentativa de driblar nossa tristeza ou mesmo culpa, nos autoafirmamos criticando as decisões alheias. É a velha história da mãe que fica em casa, mas sente uma pontinha de inveja da que trabalha fora, e diz “como pode a mulher trabalhar fora e deixar o bebê na escola?”. Ou ainda, da mulher que trabalha fora, mas sente uma pontinha de inveja da que fica em casa (e culpa também), e diz “como a pessoa aguenta ficar em em casa o dia inteiro?”.

Precisamos lembrar que somos todas mães, cada um do seu jeito, buscando fazer o melhor para nossos filhos. Sei que há pessoas más no mundo, mas o simples fato de você estar aqui lendo este post já mostra que você tem interesse em ser melhor a cada dia. E por isso, sei que você está fazendo um ótimo trabalho dentro do que é possível na sua vida. Por isso:

Se valorize:

Não é fácil ser mãe. Você é uma mulher maravilhosa! O simples fato de querer fazer o melhor já mostra que está a caminho de ser.

Aceite o passado e tome atitudes para mudar

Ter muita informação ajuda a mostrar alguns erros que cometemos no passado. Mas já passou, você não pode mudar. Então, supere o que você fez de errado e mude a partir de hoje. Como sempre falo, hoje eu sou uma mãe melhor do que ontem e não tão boa quanto serei amanhã!

Agora aplique isso na vida das outras pessoas: cada mãe está buscando fazer o melhor. Se ela amamenta ou não amamenta, ela tem suas razões. Se ela fez parto normal ou cesárea, ela tem seus motivos. Se ela fica em casa ou trabalha fora, só ela sabe por quê. Decida olhar para os outros da mesma forma que você quer que olhem para você e aceite as diferenças. Não julgue as decisões que cada uma toma. Uma vez eu comentei: criticar uma mãe pela forma que ela cria o próprio filho é tão coerente quanto achar ruim alguém comer chocolate porque você não quer engordar.

Concluo este post da mesma forma que concluí a reunião por lá, com este vídeo fantástico que resume tudo isso que falamos aqui.

A irmandade da maternidade.

Muito amor. Vídeo da Similac.

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Quem sou

Sou Melina Pockrandt Robaina, filha de Deus, jornalista e mãe da Manuela (6 anos) e da Ana Júlia (1 ano)

Eu sou Melina, mas pode me chamar de Mel. Amo escrever, amo meu marido, amo minhas três filhas e, acima de tudo, amo Jesus. Moramos na Pensilvânia, nos EUA, e, sempre que consigo, gosto de falar sobre minhas experiências, aprendizados e desafios seja na maternidade, na vida cristã ou como imigrante.

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