Para Mães e Pais

Não transforme sua culpa em acusação

7 de dezembro de 2014

Uma das coisas mais fortes e reais da maternidade é a culpa. É muito fácil a gente viver se cobrando e se sentindo culpada por qualquer coisinha que acontece (ou que não acontece com nossos filhos). Já falei sobre isso nos posts “Eu sou a pior mãe do mundo“, “O primeiro giz de cera e a eterna culpa materna” e “Escolhas difíceis“.

E nessa vida difícil de ser mãe e ter que fazer escolhas, é inevitável que a gente fique insatisfeita com alguma dessas decisões. Uma das maneiras de nos sentirmos mais felizes com elas é buscar argumentos que as sustentem, que as legitimem, que mostrem que o que fizemos foi o melhor caminho… e assim, a gente foge da culpa e corre em direção à acusação e ao julgamento!

Vou exemplificar falando de mim: uma das decisões mais recentes que tomei na vida escolar da Manuela foi coloca-la em período integral três vezes por semana. Uma das maiores vantagens para mim com isso é eu não precisar voltar almoçar em casa três vezes por semana, o que me economiza tempo, além de combustível. Além disso, ela queria fazer algumas aulas extracurriculares que estão inclusas na mensalidade do contraturno. Mas esses não foram meus motivadores. Eu fiz isso porque percebi que ela passava a manhã inteira dentro de casa vendo tevê (enquanto eu estava trabalhando e ela com minha ajudante) e achei que seria melhor que ela estivesse na escola!

Para sentir que eu tomei a decisão correta, mesmo implicando acordá-la cedo e não almoçar com ela todos os dias, o que eu fiz? Comecei a pensar em como é ruim as crianças que ficam todas as manhãs em casa vendo televisão. E inconscientemente, criei um cenário na minha mente que não é bom e, se um dia eu vir alguma casa em que isso acontece, imediatamente vou associar com algo ruim.

Esse é só um exemplo, mas acontece muito e com as mais diversas coisas: a alimentação, programas de TV, brinquedos, amigos, esportes… Posso ficar o dia aqui falando.

Tenho visto muito no Instagram, esse tipo de comportamento com o tipo de criação de filhos adotada pelo casal. Nesse caso, não é a culpa, mas as críticas que endurecem o pessoal. E no medo de serem atacadas, muitas mães atacam. É muito comum ver pais adeptos da criação com apego fazerem comentários do tipo “Não sei como alguém consegue dormir longe do filho. Aqui tem cama compartilhada com muito amor”. Como se quem coloca o filho para dormir no berço não o amasse. Esse é apenas um dos tipos de posts… já li muitos outros!

Além disso, essa situação é frequente também com a insatisfação também. A mulher que trabalha fora – e se sente culpada ou insatisfeita – critica a dona-de-casa. A dona-de-casa, por sua vez, que sente falta do mercado de trabalho julga a mãe que deixa os filhos na creche ou com a babá. E ainda mais, aquela que não tem babá, mas no fundo queria (porque vamos combinar que babá é uma “mão na roda”), diz que a ajuda é “terceirizar” a criação dos filhos. Já a que tem babá, e se sente culpada, encontra um argumento para criticar as outras… vejam, é um ciclo sem fim!

Para quebrar esse ciclo, a solução é tirar o poder da culpa e superar a insatisfação. Como? Busque encontrar a felicidade na decisão que você tomou, na situação que você vive, na escolha que você fez! Não compare sua vida com a dos outros. Não existe um jeito certo: existe o jeito que está dando certo para você. E cada família precisa encontrar a sua forma específica, que funciona dentro da sua casa. Sem críticas, sem julgamentos, sem cobranças, sem culpa!

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Quem sou

Sou Melina Pockrandt Robaina, filha de Deus, jornalista e mãe da Manuela (6 anos) e da Ana Júlia (1 ano)

Eu sou Melina, mas pode me chamar de Mel. Amo escrever, amo meu marido, amo minhas três filhas e, acima de tudo, amo Jesus. Moramos na Pensilvânia, nos EUA, e, sempre que consigo, gosto de falar sobre minhas experiências, aprendizados e desafios seja na maternidade, na vida cristã ou como imigrante.

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