Lá em Casa

Ana Júlia e a televisão

12 de agosto de 2014

A Ana Júlia tinha acabado de completar dois meses e, depois de dar mama, coloquei ela na cadeirinha de descanso na sala enquanto fui lavar a mamadeira. A Manuela (de cinco anos) estava assistindo televisão e fiquei impressionada como a Juju ficou interessada na Peppa. Desde então, eventualmente, deixo a Ana Júlia vendo TV com sua irmã, principalmente nos dias que estou trabalhando em casa e, à noite, quando estou organizando as coisas no final do dia.

É claro que a culpa materna bate à porta – e o julgamento da sociedade também, rs – e fui ler porque a televisão não é indicada para crianças menores de dois anos. Li alguns estudos em sites e, basicamente, todos abordavam o mesmo aspecto: a TV não pode ser babá da criança, ela precisa de outros estímulos, assistir televisão pode dificultar o desenvolvimento da leitura e do vocabulário. Determinados programas podem afetar o desenvolvimento emocional e psicológico da criança e o excesso priva ela de outros tipos de interações sociais.

No final das contas, ler todo este material, me deixou muito mais tranquila e segura em relação a deixar a Juju (e a Manuela também) vendo TV. Antes de jogar as pedras, deixe-me explicar falando de cada ponto:

– A televisão não pode ser babá da criança. Nem a televisão, nem o iPad e nem mesmo o móbile do berço. Se você deixa a criança dentro do cercadinho com um monte de brinquedos por uma hora para ela se “virar sozinha”, ao meu ver, está fazendo dele a babá. Assim, este “alerta” vale para todas as coisas que distraem a criança enquanto os pais fazem outras coisas.

– O bebê precisa de outros estímulos. Volto aqui para o primeiro ponto. O bebê precisa de outros estímulos além da televisão, mas também precisa de outros estímulos além do móbile, além do tapete de atividades, além do brinquedinho da cadeira de descanso. O princípio é o mesmo! Se você não deixa a televisão ligada, mas deixa a criança uma hora no berço vendo o móbile girar, também está limitando os estímulos dela, certo?

– O excesso limita outras atividades e interações sociais. Cabem aos pais controlar o tempo que a criança fica em frente à televisão e ponto final! Tem horas, principalmente final de semana em que a Manuela fica mais tempo assistindo TV, que eu desligo e falo “agora, vai brincar com outra coisa” porque eu percebo que já foi demais. Além disso, também cabe aos pais promover a interação social e o diálogo em casa!

– Programas podem afetar o desenvolvimento emocional e psicológico. É por isso que pais e mães precisam controlar o que os filhos assistem na televisão. Eu conheço todos os desenhos que a Manuela assiste e quando ela vai para a casa da minha mãe, por exemplo, ela sabe quais são os canais pré-aprovados! Até mesmo quando estamos assistindo a algum “canal de adulto” e ela está por perto, conversamos se o programa em questão é apropriado ou não para a idade dela.

– Leitura, vocabulário e desenvolvimento cognitivo. Nesse caso, a minha experiência falou mais alto. A Manuela assiste televisão desde que era bebê e ela é uma das crianças da sua turma da escola com a leitura e escrita mais avançada, adora ler – troca a TV por gibi tranquilamente – e tem um vocabulário beeem amplo. A professora dela não me deixa mentir!

Nesse aspecto, acho importante frisar que eu procuro limitar a televisão depois que ela volta da escola (nem sempre dá certo, mas eu tento) por conta de algo que li uma vez. Não me lembro ao certo onde para dar o crédito, mas a mãe contava a experiência que teve nos EUA. O filho foi matriculado em uma escola com a metodologia Waldorf e os pais tinham que assinar um compromisso de que a criança não assistiria TV em casa. Eles receberam a visita de um professor que explicou que, ao dormir, a criança processa os aprendizados do dia e os programa de televisão competem diretamente com o conteúdo da escola nesse processo. Para mim, fez bastante sentido.

Além do mais, a gente já sabe que televisão à noite dificulta – tanto para crianças quanto para adultos – o processo de pegar no sono!

Enfim, essa é minha humilde opinião e experiência. É importante frisar que eu não encontrei nenhum estudo científicos falando sobre como a televisão afetaria o desenvolvimento físico da criança e suas funções cognitivas. Por exemplo, o desenvolvimento neurológico e as conexões cerebrais e etc. Até mesmo os estudos que abordam a saúde falam sobre obesidade e diabetes, que são doenças relacionadas mais à falta de atividade física do que ao “assistir TV”.

Enfim, sei que este é um tema polêmico e os comentários estão aí, abertos pra discussões. O que vale, principalmente, é como você e sua família se sentem confortáveis a respeito disso. Sem julgamentos e sem crise!

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Quem sou

Sou Melina Pockrandt Robaina, filha de Deus, jornalista e mãe da Manuela (6 anos) e da Ana Júlia (1 ano)

Eu sou Melina, mas pode me chamar de Mel. Amo escrever, amo meu marido, amo minhas três filhas e, acima de tudo, amo Jesus. Moramos na Pensilvânia, nos EUA, e, sempre que consigo, gosto de falar sobre minhas experiências, aprendizados e desafios seja na maternidade, na vida cristã ou como imigrante.

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