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Para Mães e Pais

Coronavírus e o comportamento das crianças em casa: ansiedade, tédio e atitudes desafiadoras

18 de março de 2020

Com a reclusão das famílias em casa para evitar a disseminação do coronavírus, já percebemos as crianças tendo mudanças de comportamento.

A rotina foi drasticamente descartada de uma hora para outra, elas ouvem muitas informações (de colegas, de TV, da conversa dos adultos) e sentem o “clima pesado” no ambiente. Com tudo isso, seu filho pode apresentar comportamentos desafiadores ou manifestar algumas emoções, como medo e ansiedade.

Pedi para a psicóloga Camila Machuca nos ajudar com informações sobre como lidar com essas mudanças temporárias causadas pelo isolamento. Camila Machuca é psicóloga pela PUC-PR, especialista em neuropsicologia pela USP e em PCIT – Parent Child Interaction Therapy pela University os West Virgínia. Atua com avaliação neuropsicológica e atendimento clínico de crianças, adolescentes e adultos, além de prestar consultoria para pais em questões relativas a educação de filhos e desenvolvimento infantil.

Informação

“O primeiro pilar para trabalhar com os filhos é a informação”, salienta Camila Machuca. É preciso que o adulto sente para conversar com a criança para avaliar o que ela já ouviu, sabe ou pensa que sabe.

Com certeza, seu filho já ouviu falar sobre o coronavírus – seja da conversa entre os adultos, televisão ou dos amiguinhos da escola. “Porém, além de terem informações incompletas, as crianças também imaginam muitas coisas – que nem sempre são verdadeiras”, comenta.

Por isso, é preciso primeiro perguntar o que a criança sabe sobre o vírus e, respeitando a faixa etária, desmistificar os conceitos errados que ela tem e trazer informação correta. Não é preciso falar tudo, mas é importante oferecer segurança, dizendo, por exemplo, que os médicos já estão trabalhando para proteger todos mundo (leia aqui O que meu filho precisa saber sobre o coronavírus?).

Ao mesmo tempo, pergunte se a criança sabe por que está em casa sem ir para a escola. É importante que ela saiba que, ao evitar sair, estamos protegendo todo mundo. E que isso tudo é temporário.

Ansiedade, medo e nervosismo

Sobre a ansiedade, nervosismo e medo, é fundamental que o adulto trabalhe primeiro a sua própria regulação emocional.

“O emocional do adulto vai regular as emoções das crianças”, comenta a psicóloga. Por isso, é fundamental estar equilibrado nesse momento.

Além disso, é essencial parar de comentar sobre o tema o tempo todo, não ficar assistindo às notícias em frente aos filhos, não passar desespero através dos comentários.

“Os pais vão ser os reguladores emocionais e, também, precisam ser o filtro. Cuide com a quantidade de informação que chegam aos filhos”, lembra.

Tédio

O primeiro ponto a ressaltar é: ninguém precisa ficar pensando em mil atividades nem entretendo as crianças 24 horas por dia. O tédio não é um vilão.

“Os pais devem tentar, na medida do que for possível, manter um mínimo de rotina. Procure incluir um horário para as atividades que estão sendo mandadas pela escola, tenha momentos de brincadeira, mas também permita e estimule que a criança brinque sozinha.”

A psicóloga lembra que a mãe e o pai não devem ser professor do filho. Eles devem somente oferecer horário e suporte para que a criança desenvolva suas atividades acadêmicas.

Na parte das brincadeiras, inspire-se em sites (como Tempo Junto), aproveite canais relevantes de internet (como Fafá Conta) e seja criativo. Uma sugestão da especialista é pedir que a criança sugira como pode ser a programação do dia.

Comportamentos desafiadores

“Há grandes chances de que os comportamentos das crianças fiquem mais desafiadores nesse período. Pois eles são uma maneira de as crianças expressarem ansiedade e medo”, comenta Camila.

Portanto, diante de situações e comportamentos difíceis, os pais precisam avaliar se realmente é uma oposição do filho ou uma maneira pela qual está tentando comunicar algo. Busque entender o que ela está pensando, corrigindo comportamentos errados, mas também acolhendo emoções. “Esclareça as dúvidas que a criança possa ter e ofereça segurança!”.

Home office

Muitos pais estarão em casa, porém trabalhando. É essencial mostrar para a criança que o adulto precisa de tempo para fazer suas obrigações. “Será uma ótima oportunidade para ensinar sobre o respeito ao espaço do outro.”

Veja o lado bom

Por fim, a psicóloga lembra que podemos aproveitar essa rica oportunidade para criar e fortalecer vínculos familiares. “Quando os pais conseguiriam passar tanto tempo junto com os filhos? Vamos não focar no medo, no desespero, mas no lado bom de estarmos em família.”

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Ajuda para montar a rotina das crianças (com arquivo para download e impressão)

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Quem sou

Sou Melina Pockrandt Robaina, filha de Deus, jornalista e mãe da Manuela (6 anos) e da Ana Júlia (1 ano)

Eu sou Melina, mas pode me chamar de Mel. Moro em Curitiba (PR), sou jornalista, empresária e mãe de duas meninas maravilhosas: Manuela, 11 anos, e Ana Júlia, 6 anos. Um dos meus maiores alvos é tornar a vida mais simples e leve todos os dias.

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