Lá em Casa

Como minha filha me convenceu que eu trabalhava demais

20 de abril de 2015

Muitas pessoas têm pedido para eu falar da minha redução de carga horária, que comentei nas redes sociais. Eu estava postergando, pois ainda estou em uma situação de teste, que pode mudar, mas vou contar como está sendo.

Há uns dois meses, a querida Daniela Rosa (que eu conheci lá no Instagram) perguntou se a Manuela (minha mais velha) poderia participar de uma entrevista para o blog Dia de Semana. Entre as perguntas, havia a seguinte questão: qual é a melhor coisa em ser criança? E, entre as respostas, ela falou: “ficar de férias”.

Eu argumentei: – Mas adulto também tem férias.

E ela completou: – Mas você tem que trabalhar nas férias e no final de semana.

E isso entrou no meu coração profundamente. Então, como um filme, lembrei das inúmeras vezes que à noite, nos finais de semana ou mesmo nas férias, eu peguei o computador ou celular e disse: “Filha, agora a mamãe vai ter que fazer um negócio importante do trabalho aqui, ta? Não posso brincar (conversar, assistir TV com você, sair etc) agora, pois é importante”. Então decidi: não quero que minha filha tenha como memória uma mãe que vivia trabalhando.

Antes de continuar, acho importante vocês entenderem que eu amo trabalhar. Quando a Manuela estava com oito meses de vida (eu já tinha pedido a conta da empresa que eu trabalha na época que engravidei), eu não aguentava mais ficar em casa e comecei a querer trabalhar desesperadamente.

Em pouco tempo, entrei em uma sociedade com uma colega (temos uma agência de comunicação) e, desde então, gosto muito do meu trabalho e sempre consegui conciliar a vida de profissional e mãe.

Mas quando a Ana Júlia nasceu, o tempo livre de família precisou ser dividido, a atenção exclusiva diminuiu e o bicho pegou! E foi neste contexto que comecei a me sentir exausta, cada vez mais relapsa em relação a minhas filhas e, ao mesmo tempo, não produzindo como o esperado no meu trabalho. Na verdade, eu percebi que estava me sentindo mais infeliz e menos motivada profissionalmente, até mesmo nas tarefas pelas quais sou apaixonada.

Fiz as contas do orçamento familiar, conversei com meu marido e decidimos juntos que eu poderia parar de trabalhar, mesmo que isso implicasse abrir mão de algumas coisas que podem esperar. Mas, nesse meu prazer pela minha profissão, eu queria mesmo poder ficar meio período, nem que para isso ganhasse mesmo. Entretanto, não achei uma proposta justa para minha colega porque nós sempre dividimos o trabalho meio a meio e contratar alguém para me substituir em algumas atribuições não seria fácil nem barato.

Então, eu cheguei para a minha sócia e abri meu coração, hahaha.  Disse que não gostaria de trabalhar mais do que meio período e, por isso, abri mão da sociedade. Neste primeiro momento, ela topou que eu ficasse meio período, mas como eu falei, ainda não é uma situação definitiva. Sei que se ela encontrar alguém bacana para me substituir, para ela será mais interessante ter uma sócia em tempo integral, do que eu só à tarde.

Hoje é situação é essa: trabalho das 13h às 17h40, reduzi quase 60% do meu salário e tenho passado as manhãs em casa com as meninas. Mesmo com estes cortes, ainda consegui manter a minha ajudante, que trabalha todo dia na minha casa só meio período, então, tem sido tudo de bom!

A gente acorda na hora que a Ana Júlia manda, rs, levanto, preparo e tomo o café da manhã com elas – algo INÉDITO –, depois eu e a Manuela lemos a Bíblia (ela tem lido um capítulo por dia), troco as meninas e a gente brinca, brinca e brinca. Tem sido tão bacana que, como eu contei por aqui, a Manuela sequer tem desejado ligar a TV quando estamos juntas – também uma coisa impressionante.

Depois de uma hora e meia, mais ou menos, a Ana Júlia vai tirar sua soneca da manhã e eu posso dar mais atenção para a Manuela. Geralmente nesse horário, fazemos a lição de casa. Como eu tenho essa minha ajudante que é um anjo, se eu precisa, ela fica com as meninas sem problema. O que é ótimo porque eventualmente ainda tenho reuniões pela manhã com alguns clientes.

Por volta das 11h, preparo o almoço e, às 11h30, começo a “rotina”. Coloco o uniforme na Manuela e na Ana Júlia, almoçamos juntas (coisa linda!), escovo os dentes das duas e vamos para a escola. Deixo a Manuela umas 12h30 e a Ana Júlia por volta das 12h50. Essa foi uma questão que discuti com a Manuela também: para que eu pudesse ficar pela manhã com ela, preciso deixá-la no colégio cerca de meia hora antes do normal e vou buscá-la mais tarde também (cerca de 20 a 30 minutos depois do término da aula).

Depois de deixar as duas na escola, vou para o trabalho e me mato para dar conta de tudo nas minhas horas, mas agora muito mais feliz e motivada. Para conseguir pegar um trânsito aceitável e não deixar a Manuela pensando que eu a abandonei na escola, preciso sair no máximo 17h40. Passo, busco a Juju, depois a Manuela e vou para casa.

Como já passei a manhã com as duas, esse horário que chegamos em casa (normalmente são uns 40 minutos “livres” antes de começar a rotina de banho e sono) não é mais um desespero para fazer coisas divertidas. Chegamos mais tranquilas, conversamos sobre o dia, jantamos e partimos para a rotina da noite.

Enfim, assim tem sido. Mas, como eu comentei neste outro post, essa é uma das razões pelas quais tenho estado mais ausente no blog. Não tenho mais tido tanto tempo para escrever os posts, responder comentários, gravar vídeos e tudo mais. Mas acredito que logo tudo se ajeita. Obrigada pela paciência! : )

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Comentários

  1. Nidia disse:

    Melina,
    Nunca comento em lugar algum, sou tímida e curto o anonimato (rs.). Só queria falar que admiro muito seu jeito de comentar e viver a maternidade. Vivo agora a experiência maluca de levar meu pequeno para o trabalho e me identifico muito com seus relatos. E também penso muito em me planejar para um dia poder fazer o que você tenta agora. Não existe praticamente nada na minha vida que seja mais reconfortante do que olhar pra trás, pra minha infância, e lembrar da minha mãe ali, presente por opção, e não por falta de, da nossa rotina em casa. E, claro, dos grandes esforços que meu pai fez para ser presente mesmo com uma rotina puxada de trabalho. Acho que com o tempo a gente vai se encaminhando e a vida se ajeita… Tomara que essa nova rotina seja um sucesso! Continue com o blog, mesmo que numa marcha mais lenta, ele certamente faz minha vida de mãe de primeira viagem mais fácil.

    1. Maternidade Simples disse:

      Obrigada, querida!! Amei seu comentário. :) Beijo e obrigada por acompanhar

  2. Bianca Pessoa disse:

    Sinceramente?! Sei que não existe “inveja” branca, mas, olha, se eu pudesse, eu faria o mesmo!!! Quando a Juju nasceu (e ela nasceu de 29 semanas), eu pude me dedicar exclusivamente à ela pq eu trabalhava com meu pai. Isso e a ajuda financeira que ele me deu na época me permitiu essa dedicação total à Juju até ela completar uns 09 meses – quando ela entrou pra escolinha e eu voltei a trabalhar. Infelizmente, hoje, a situação mudou completamente. Meu pai faleceu e eu hoje sou sócia do meu irmão no nosso escritório de advocacia. O João acabou de nascer e, entre uma mamada e outra, estou eu às voltas com petições e andamentos processuais. Porque hoje, se eu não trabalho, eu não recebo. E, infelizmente, como autônoma, não tenho o privilégio de parar 04 meses. Vou “parar” 01 mês só e voltar aos poucos à rotina (embora pretenda fazer home office o máximo que eu puder). Quero lhe dizer que suas filhas ficarão imensamente gratas a você pelo tempo dedicado, mas principalmente por tb não ter abdicado de seu trabalho (conheço muitas mulheres que fazem isso e depois “jogam na cara” dos filhos o que abriram mão por eles…). Que Deus a abençoe!

    1. Maternidade Simples disse:

      Obrigada pelo apoio!! Realmente, ser autônoma é muito difícil… aliás, ser mãe não é fácil, não, rs. Deus abençoe você também :)

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Quem sou

Sou Melina Pockrandt Robaina, filha de Deus, jornalista e mãe da Manuela (6 anos) e da Ana Júlia (1 ano)

Eu sou Melina, mas pode me chamar de Mel. Amo escrever, amo meu marido, amo minhas três filhas e, acima de tudo, amo Jesus. Moramos na Pensilvânia, nos EUA, e, sempre que consigo, gosto de falar sobre minhas experiências, aprendizados e desafios seja na maternidade, na vida cristã ou como imigrante.

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