Durante a Gravidez parto normal após cesárea

{Depoimento} Tive parto normal 15 meses após uma cesárea

14 de maio de 2015

Não preciso nem repetir que o Instagram tem me aproximado de pessoas maravilhosas, né? Uma delas foi a Emily Moretti, mãe das lindas Isa (1 ano e 6 meses) e da Manu (3 meses). Fiquei sabendo lá no perfil dela (@minhavidademae) que ela teve parto normal após cesárea e perguntei se ela toparia compartilhar aqui, pois sei que muitas pessoas não fazem PN no segundo filho porque são levadas a crer que não é possível depois de realizar um parto cesáreo. Então, espero que este depoimento traga esclarecimentos sobre isso, lembrando que cada caso é um caso, mas informação é tudo!

Ah, não custa lembrar: este não é um post para falar mal de cesáreas ou diminuir quem as fez (lembrem que eu fiz duas!), mas apenas trazer informação para quem está passando por um momento de decisão!

parto normal após cesárea

Meu nome é Emily Moretti. Tenho 28 anos, sou pedagoga, psicopedagoga e neuropsicopedoga por formação. Sou professora de educação infantil concursada e há mais de um ano me dedico às mídias sociais escrevendo sobre maternidade.

Após dez meses de casada descobri que estava grávida pela primeira vez. Foi um susto, mas um susto feliz… Embora financeiramente e profissionalmente não fosse o momento ideal, ser mãe sempre foi meu maior sonho e rapidamente o susto deu lugar ao sentimento de realização. Tive uma gestação saudável, engordei 11,5 quilos e tudo foi muito tranqüilo. Desde pequena sempre tive muito medo da anestesia – injeções em geral –  e por esse motivo desde o começo decidi que teria minha filha de parto normal. Passei por algumas obstetras até escolher uma que sinceramente não também não gostei, mas era a última opção do meu convênio médico. Haviam me alertado que ela gostava de fazer cesáreas, mas devido à minha ótima condição ela sempre disse que eu poderia sim ‘tentar’ o parto normal desde que não ultrapassasse 41 semanas de gestação.

Na minha primeira gravidez eu lia muito sobre assuntos relacionados à maternidade e aos cuidados com os bebês, mas não me aprofundei muito em todos os benefícios do PN, pra falar a verdade eu era movida ao medo da anestesia e à uma possível ajuda que o PN pudesse trazer à minha produção de leite – já que tenho redução de mamas e isso pode prejudicar a amamentação.

parto normal após cesárea

Porém, mãe de primeira viagem, se não estiver realmente bem informada, se deixa influenciar pelos mais variados fatores e eu, que me preparei durante 40 semanas e 2 dias para ter minha filha de PN, movida por motivos superficiais, de um dia para o outro autorizei a médica a marcar a cesariana. Falei com ela na quinta-feira à tarde e minha filha nasceu na sexta-feira de manhã – havia uma esperança que na madrugada eu entrasse em trabalho de parto, mas isso não aconteceu e lá fui eu para a minha temida anestesia, ops!, cirurgia.

Escândalos e medos à parte, graças a Deus a cirurgia – e a anestesia – deram certo mas já nas primeiras horas começou a minha ‘horripilante’ recuperação. Eu não tive nenhum problema de saúde durante ela, mas sentia muitas dores desde o começo que duraram mais de um mês! Foi horrível, fiquei um trapo, me sentia fraca e realmente sentia dor em todos os movimentos que eu precisava fazer, minha mãe deu banho na bebê durante um mês, pois eu não conseguia ficar com o corpo totalmente ereto.

Mas o tempo foi passando, foram-se as dores e depois de seis meses, lá estava eu: GRÁVIDA NOVAMENTE! Aí sim foi um susto de verdade, um susto recheado de medos, incertezas, culpa… Sempre planejei dois filhos e com uma distância não muito longa, mas, jamais tão próxima! Fiquei sem chão, tinha medo por mim, pela minha filha que era apenas uma bebezinha, pelo novo bebê, pelo meu casamento, pelo meu trabalho, pelo gasto que aumentaria… Por tudo! E tinha inclusive, vergonha de contar para as pessoas, de ser julgada, de ser ridicularizada, sei lá!

Ah, mas se tinha um medo que realmente me assombrava era o de passar por tudo de novo, outra anestesia, outro corte em cima do meu corte ou seriam dois cortes separados? E por quanto tempo eu sentiria dores dessa vez? E se para carregar a minha filha de três quilos foi difícil, como eu carregaria o novo bebê e a primeira que agora pesava dez quilos?! Eu não poderia, além de todas as mudanças que aconteceriam, negar colo a ela. Então, parti para mais 9 meses de leitura e informação e dessa vez independente de qualquer coisa teria um parto normal.

parto normal após cesárea

Então começaram os rumores de que nenhum médico me deixaria parir com uma cesárea tão recente, as diversas experiências negativas que as conhecidas das conhecidas vivenciaram… Por isso, comecei procurar enfermeiras obstetras [para um parto domiciliar] e já na primeira recebi um NÃO! Ela achava melhor eu ter meu bebê no hospital, humanizado, porém hospitalar.

Meus outros contatos também acabaram em nada, pois eu não tinha condições financeiras de bancar o meu sonhado parto domiciliar, já que, para ajudar, uma semana antes de ter descoberto a gravidez eu havia assinado o contrato da festa de um ano da minha filha, e isso já estouraria meu orçamento.

As semanas foram passando, eu lia, pesquisava, conversava – era julgada em grupos do Facebook – e eu me rendi: meu parto seria hospitalar e devido a uma mudança no meu convênio, seria com um plantonista, ou seja, eu tinha certeza que não me deixariam esperar o PN. Mesmo em época de mudanças na lei do parto, minha cesárea recente seria motivo de indicação. Foi então que me entupi de informação e decidi que ninguém iria me atrapalhar…

Informação é tudo! Buscar profissionais que entendam do assunto e que tenham informações confiáveis para passar e até relatos de histórias reais parecidas faz crescer em nós a vontade e a coragem necessária para enfrentar o sistema e argumentar contra todos os palpites e preocupações das pessoas que nos rodeiam e que muitas vezes mais atrapalham do que ajudam.

Nada do que minha GO ou qualquer outra pessoa me dissesse me faria mudar de opinião, eu já sabia que nas minhas condições eu poderia parir, só me restava saber o que seria de mim depois de estar sob a responsabilidade do hospital, esse era o meu maior medo, entregar meu sonho nas mãos de um plantonista desconhecido…

Eis que com 39 semanas e 5 dias comecei sentir as contrações, sem saber realmente o que estava acontecendo pois na primeira filha não senti nada disso. Depois de muita resistência fui para o hospital – resistia por medo de chegar lá sem dilatação e ser obrigada a operar. Já cheguei lá deixando claras as minhas vontades e mostrando conhecimento de causa.

parto normal após cesárea

Isa e Manu, fofas demais!

 

O parto normal após cesárea

Dei entrada no sábado às 22:00 horas e minha filha nasceu no domingo, 08/02/15 às 9:19 horas. Que madrugada interminável e quanto pensar na minha primogênita nos intervalos das dores! Preciso enfatizar que Deus – eu creio – colocou anjos em meu caminho, pois sei que com alguns outros profissionais minha história poderia ter sido outra.

O parto não foi exatamente natural como eu planejava, pois faltando pouco para a dilatação total, ao ver meu sofrimento, o médico decidiu romper a bolsa e naquela altura do campeonato eu nem discordei dele. Já estava exausta e certas coisas acabam passando. Não considerei violência obstétrica e não fiquei com nenhum trauma em relação a isso.

Após o rompimento, tudo aconteceu muito rápido, em menos de uma hora minha filha estava deitada sobre o meu colo, cheia de saúde e todos na sala desacreditavam da rapidez com que ela veio ao mundo,  foram cinco ‘forças’ que eu fiz e ela saiu, sem dar tempo nem de o papai entrar na sala – ele havia ido colocar a roupa para o centro cirúrgico – aliás, não chegou o papai, não chegou o anestesista (haviam chamado um) e não chegou a pediatra! Meu marido ficou um pouco frustrado pois queria ter a visto nascer de fato depois de tantas horas esperando comigo, mas ele entrou bem na hora e não deixou de ficar emocionado com a nossa conquista!

Foi um parto ‘sofrido’, muitas mulheres se controlam diante das dores, mas eu não conseguia. Foi muito ‘gritado’, sem aquele glamour que a gente vê em alguns programas de TV. Mas foi um momento único, indescritível, inesquecível, em que eu realmente não apenas recebi minha segunda filha, mas também virei uma página da minha vida. Se depois de ser mãe muita coisa mudou em mim; depois do meu sonhado parto normal eu realmente virei outra pessoa e senti muito orgulho da mulher persistente e corajosa que eu fui até aquele momento!

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Comentários

  1. yumina disse:

    lindo depoimento. meus filhos terao 19 meses de diferenca assim que este nascer e ainda nao sei o sexo da segunda gestacao mas a primeira e menina. estou de 23 semanas e quero muito parto normal desta vez mas a barriga esta crescendo e estou sentindo dor na cicatrz e estou ficando com medo pois nem repouso estou conseguindo fazer e sem tirar que minha filha de 1 ano e 5 meses nao me larga. o que voces acham desta situacao? da pra arriscar num parto normal?

  2. Andresa disse:

    Meu Deus …..eu estou aqui atrás de depoimentos de p n após cesária ,e encontro o seu que é exatamente meu caso.estou na segunda gestação ,engravidei tbm 6 meses após cesária e queria muito normal dessa vez são tantos medos envolvidos mais estou feliz de ter encontrado um caso igual ao meu.

  3. Paloma disse:

    Oi andressa, e ai conseguiu ter seu parto normal?

  4. Fernanda disse:

    Que linda sua história Emily! Depoimentos como o seu que teve um parto normal após cesárea está me motivando. Engravidei quando meu primogênito tinha 1 aninho, descobri uma semana após a festinha dele. Já conversei com meu GO sobre ter um possível parto normal, e graças a Deus ele disse que posso sim ter um parto normal com sucesso. Mas infelizmente na hora não vai ser que vai estar lá, e sim médico plantonista. Mas creio em Deus que vou ter meu sonhado parto normal, até pq a recuperação é mais rápida, e cuidar de dois bebês operada não dá.

    1. Melina disse:

      Amém!! :) <3

  5. Karina Santos morais disse:

    Graças a Deus tbm encontrei esse depoimento ,estava desesperada estou deste meses e tenho um neném de 1 e sete meses e fiz Cesária dele e tbm queria tentar dessa vez um parto normal ,e recebi diversas negativas que não poderia por ser muito recente

  6. Mônica Eduarda disse:

    Fico feliz de ver sua historia, estou passando por tudo isso, tive meu primogênito de cesariana, ele agora já tem 2 anos, estou de 23 semanas, quero ter PN meu bb é muito apegado a mim. Tenho muito medo de ter uma segunda cesaria e não poder da atenção pra ele, e tbm não quero passar por uma segunda cesaria, a minha primeira foi tranquila mas nao quero passar por isso de novo e minha recuperação fói muito difícil, meu medico do pre-natal disse que eu posso ter normal, mas vai depender do plantonista. Vou ter coragem e vou até o fim.

  7. Vivian disse:

    Estou nessa situação, porém meu bebê está com quase cinco meses e eu descobri que estou grávida de 2 meses. O medo tomou conta pela cesária recente, mais graças a Deus meu médico disse que está tudo em perfeito estado, nem parece que fui mãe, dou graças a Deus por isso, pois os planos de Deus vai além dos nossos. Na minha primeira gestação estava otimista para Pn, porém meu Arthur estava encaixado mais não tive dilatação. Sofri muito pois na hora da anestesia pegaram um nervo da minha perna e senti um choque muito grande, desde então fiquei insegura e nervosa. Mais graças a Deus que meu filho nasceu em perfeito saúde. Peço a Deus que dessa vez eu consiga um PN, pois as dores e insegurança da recuperação não é legal. Por esse relato me senti aliviada e o que estiver no meu alcance farei para que tudo dê certo ?? obrigada ?

  8. Viviane disse:

    Achei um caso igual ao meu rs meu bebê com 10 meses que foi uma cesárea e eu de quase 19 semanas … Queria muito normal pois a recuperação é rápida. Estou numa busca incessante de relatos e encontro esse … Me tranquilizou um pouco porém o medo ainda existe de tentar ganhar meu menino normal e tudo acabar rompendo rs mas obrigado !!!!?

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Quem sou

Sou Melina Pockrandt Robaina, filha de Deus, jornalista e mãe da Manuela (6 anos) e da Ana Júlia (1 ano)

Eu sou Melina, mas pode me chamar de Mel. Amo escrever, amo meu marido, amo minhas três filhas e, acima de tudo, amo Jesus. Moramos na Pensilvânia, nos EUA, e, sempre que consigo, gosto de falar sobre minhas experiências, aprendizados e desafios seja na maternidade, na vida cristã ou como imigrante.

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