Lá em Casa dias na maternidade

Relato de parto: o nascimento da Ana Júlia

10 de maio de 2014

Tenho várias coisas para contar, mas gostaria de começar falando sobre como foi o parto da Ana Júlia, no dia 28 de abril, na maternidade Santa Brígida, em Curitiba.

Como já contei aqui no blog, fiz cerclagem com 13 de semanas de gestação – devido à incompetência istmo-cervical. A minha gestação foi super tranquila – principalmente considerando a minha experiência anterior com a Manuela (para quem não sabe, quase a perdemos com 5 meses, fiquei de repouso por mais de dois meses e ela nasceu prematura de 33 semanas – leia aqui).

Quando estava grávida da Manuela e a bolsa rompeu, minha obstetra disse que tentaríamos aguardar 48 horas para tentar amadurecer um pouco mais o pulmão da bebê. Mas a orientação era: se começar a sentir contração, o parto deve ser feito imediatamente. Por causa da cerclagem – pontos que literalmente “fecham” o útero –, as contrações seriam mais doloridas no meu caso (seria um verdadeiro cabo de guerra: o útero querendo abrir e os pontos segurando para fechar). Naquela ocasião, as contrações começaram em 24 horas e em pouco mais de 30 minutos a Manuela já estava nascendo.

Desta vez, no dia que completei 38 semanas (na verdade, na madrugada), a bolsa rompeu. Sem brincadeira, eu senti algo no útero e ouvi – de verdade! – um barulho “pof”. E então senti algo escorrer. Levantei da cama, fui ao banheiro e vi que, de fato, a bolsa tinha estourado.

Horas antes, quando fui dormir, eu estava sentindo um pouco de dor, mas não era nada muito diferente do que eu sentia às vezes. Assim, não quis fazer alarde nem ir à maternidade. Mas, às 3h50, quando a bolsa rompeu, acordei meu marido e nos arrumamos para ir – pegamos as coisas, acordamos a Manuela, pedimos para minha mãe ir buscá-la no hospital… Enfim, em uns 15, 20 minutos estávamos ali no hospital, que é pertinho de casa.

Eu percebi que, além da bolsa ter estourado, eu já estava com contrações, ou seja, em trabalho de parto. Elas já estavam um tanto quanto doloridas, mas eu ainda estava em condições de caminhar e tudo mais.

Chegando no hospital, eu fiz questão que todos os profissionais de saúde que me atenderam soubessem que eu tinha cerclagem, mas não adiantou. Passei por uma demora absurda na recepção duas vezes (uma para ser atendida na emergência e outra para o internamento), tive que passar por duas triagens e só depois de mais de uma hora é que fui encaminhada para a sala de parto. Aí então tomei anestesia e a cesárea foi realizada.

Só que nesse tempo, senti muita dor. As contrações foram se intensificando e aumentando a frequência até que já não houvesse mais intervalo entre elas. No centro cirúrgico, eu já estava gritando de dor, a ponto de meu marido me ouvir lá fora, e eu não conseguia subir na maca ou colocar a camisola, como me pedia a equipe médica.

Uma médica (que, graças a Deus, sumiu) passou na sala e perguntou:
– Você não vai subir na maca?
– Não consigo, estou com muita dor – respondi.
– Quando você subir, eu venho te examinar – disse rispidamente. Virou as costas e foi embora. (Sim, isso foi um episódio claro de violência obstétrica)

Apenas na triagem no CC, a médica avaliou que os pontos estavam cedendo e o parto precisava ser feito imediatamente. A urgência era tal que ela disse para meu médico que se ele não chegasse a tempo, ela mesmo faria a cesárea.

Resumo da história: meu médico chegou e disse que meu trabalho de parto evoluiu muito rápido e que poderia ter feito parto normal se eu não estivesse com os pontos. Ou seja, meu útero fez tudo o que tinha que fazer para o parto normal, só não abriu porque os pontos estavam segurando – e, segundo a médica, quase cedendo.

Eu não sei narrar a dor que senti, mas foi algo absurdo. O resultado: meu útero trabalhou tanto que não foi possível mexer no colo para tirar os pontos da cerclagem (o que só será feito na consulta de retorno com o obstetra) e a Ana Júlia sofreu no parto, ao ponto de nascer sem respirar… O sofrimento fetal é assunto para outro post.

Hoje, olhando para trás e conversando com algumas pessoas, vemos que houve erro da maternidade e falta de orientação aos profissionais da recepção. Enfim, a ouvidoria já foi acionada e eles concordaram que erraram… Infelizmente, agora não dá para voltar atrás. E a gravidez, que foi tão tranquila por 38 semanas, fechou de maneira bem intensa e imprevisível. Mas graças a Deus porque Ele cuida de nós sempre!

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Quem sou

Sou Melina Pockrandt Robaina, filha de Deus, jornalista e mãe da Manuela (6 anos) e da Ana Júlia (1 ano)

Eu sou Melina, mas pode me chamar de Mel. Moro em Curitiba (PR), sou jornalista, empresária e mãe de duas meninas maravilhosas: Manuela, 9 anos, e Ana Júlia, 4 anos. Um dos meus maiores alvos é tornar a vida mais simples e leve todos os dias.

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